Agricultura

Defesa do café solúvel nos EUA mira efeito de tarifa na indústria americana

Segundo representante da BMJ, contratada pela Abics, perguntas do board da USTR se concentraram nos impactos da medida para a manufatura e o consumo nos Estados Unidos

A indústria brasileira de café solúvel concentrou nesta terça-feira (7) parte relevante da defesa com foco em inflação para os americanos durante a audiência pública do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) sobre a proposta de tarifa de 25% contra produtos brasileiros, sob a investigação da seção 301 da Lei de Comércio de Washington.

Segundo José Pimenta, da consultoria BMJ, contratada pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) para representar o setor, o painel dedicado ao café teve como foco principal os impactos de uma eventual sobretaxa sobre a cadeia do solúvel e seus desdobramentos para a indústria americana.

De acordo com Pimenta, embora o painel reunisse diferentes elos do setor cafeeiro, com participações do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) e da NCA (National Coffee Association), a discussão acabou girando majoritariamente em torno do café solúvel.

A estratégia, segundo ele, foi coordenar as manifestações para que os argumentos se complementassem, com ênfase no peso do produto para o consumo, para a produção e para a cadeia industrial ligada ao café nos EUA.

Na avaliação do representante da BMJ, as perguntas feitas pelos integrantes do board da USTR se concentraram menos no consumo em si e mais nos efeitos de uma tarifa adicional sobre a cadeia manufatureira americana.

Nesse ponto, a defesa brasileira buscou mostrar que a taxação não afetaria apenas o café solúvel importado do Brasil, mas também segmentos da indústria de bebidas e alimentos que utilizam o produto como insumo, como xaropes, bebidas prontas para beber e outras formulações à base de café.

A argumentação apresentada pelo setor também reforçou o pedido de exclusão do café solúvel da tarifa proposta, com base no potencial impacto sobre preços, abastecimento e custos da cadeia nos Estados Unidos.

Segundo Pimenta, a defesa destacou ainda o peso do consumo do produto no mercado americano, onde 11% dos consumidores bebem café solúvel diariamente.

Para a indústria brasileira, o objetivo foi demonstrar que a medida teria efeitos para além da relação bilateral, atingindo também empresas e consumidores americanos que dependem do produto na ponta final da cadeia.

Via CNN Brasil

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