Ação nacional começa na segunda-feira e busca aumentar as chances de identificação por meio de bancos genéticos
Para famílias que convivem com a ausência de um parente sem saber onde ele está, uma amostra de saliva pode se transformar em uma nova possibilidade de resposta. Em Mato Grosso do Sul, 15 pontos de coleta de DNA estarão disponíveis entre segunda-feira (24) e sexta-feira (28) durante a Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas.
A iniciativa está na quarta edição e é promovida pelo Governo Federal, em parceria com as secretarias de Segurança Pública dos estados. O objetivo é ampliar os bancos de perfis genéticos e facilitar o cruzamento com amostras de pessoas encontradas vivas ou mortas sem identificação.
Em Mato Grosso do Sul, a Polícia Civil participa da mobilização por meio da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios e Pessoas Desaparecidas (DHPP), com apoio do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF).
Em Campo Grande, o Dia D da campanha será realizado na segunda-feira (24), a partir das 8h, na sede da DHPP, localizada na Rua Doutor Arlindo de Andrade, no Bairro Amambai. A coleta será feita pelo Setor de Pessoas Desaparecidas.
Além da Capital, haverá pontos de atendimento em Amambai, Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Costa Rica, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
Quem pode participar
A mobilização é voltada principalmente a familiares de primeiro grau de pessoas desaparecidas. Podem participar filhos, pais, mães e irmãos.
Para realizar a coleta, é necessário apresentar um documento de identificação e informações relacionadas ao boletim de ocorrência do desaparecimento, como delegacia responsável, número do registro e Estado onde o caso foi registrado.
Segundo a Polícia Civil, o procedimento é simples e indolor. O material coletado é utilizado para formar um perfil genético do familiar, que posteriormente é inserido no banco nacional.
Esse perfil passa a ser comparado com amostras genéticas de pessoas encontradas sem identificação em diferentes estados brasileiros.
Como o DNA pode ajudar
A diretora do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF), perita criminal Josemirtes Socorro Fonseca Prado da Silva, explica que a principal vantagem da coleta é permitir que a comparação seja feita em âmbito nacional.
“É feito um cruzamento com todos os perfis que tem no banco, a nível nacional, de todos os Estados. Assim que se tem algum que dá coincidência com aquele que a gente inseriu, recebemos um relatório para fazer essa confirmação”, explica.
A partir de uma possível correspondência, são realizadas as etapas necessárias para confirmar a identificação. Se o resultado for confirmado, a delegacia responsável é comunicada e a instituição responsável pelo procedimento entra em contato com os familiares que forneceram o material.
O recurso pode ser especialmente importante em casos nos quais outros métodos de identificação não foram suficientes. O DNA também pode auxiliar na identificação de restos mortais e de pessoas encontradas sem documentos ou outros elementos capazes de confirmar a identidade.
Dados de desaparecimentos em MS
Entre janeiro e agosto de 2026, Mato Grosso do Sul registrou 718 casos de desaparecimento, segundo dados do Sistema Integrado de Gestão Operacional (Sigo).
Campo Grande concentra a maior parte dos registros, com 313 ocorrências no período.
No mesmo intervalo, foram registradas 764 ocorrências de pessoas encontradas no Estado, 46 a mais que o número de desaparecimentos registrados.
Os números, porém, representam registros de ocorrências e não significam necessariamente que todos os casos de desaparecimento tenham sido solucionados. Também não é possível afirmar, apenas com esses dados, que as pessoas encontradas correspondam aos mesmos casos registrados como desaparecimento no período.
Esperança para as famílias
A coleta de material genético não significa que uma pessoa desaparecida será localizada imediatamente. O objetivo é ampliar a quantidade de perfis disponíveis nos bancos de DNA para aumentar as possibilidades de uma futura correspondência.
A estratégia também fortalece a integração entre os órgãos responsáveis pelas investigações, análises laboratoriais e identificação de pessoas desaparecidas e não identificadas.
Em Campo Grande, a campanha de 2025 já havia demonstrado a importância do trabalho. Na ocasião, o então titular da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Rodolfo Carlos Ribeiro Daltro, informou que a taxa de localização na Capital superava 90%.
Segundo a perita Josemirtes, a inclusão do perfil genético amplia as possibilidades de encontrar uma correspondência, principalmente porque a amostra passa a integrar uma base que reúne informações de diferentes estados.
A mobilização nacional ocorre entre os dias 24 e 28 de agosto. Para as famílias que ainda não realizaram a coleta, o período representa uma oportunidade de deixar o material genético registrado e ampliar as possibilidades de identificação de um parente desaparecido.
Via Enfoque MS