Fenômeno climático preocupa mercado financeiro por possíveis efeitos sobre safras, preços de alimentos e ativos ligados ao agro
A perspectiva de um El Niño intenso preocupa especialistas do mercado financeiro e do agronegócio pelos possíveis impactos sobre a produção agrícola.
Para Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro, o fenômeno agrava um cenário já desafiador relacionado aos custos de produção.
“As empresas do agro estão sofrendo com a questão dos fertilizantes e vão começar a produzir para o segundo semestre com todo o risco envolvendo esses insumos”, analisa Marilia.
Isso porque 80% dos fertilizantes utilizados no agronegócio brasileiro vêm do exterior, o que torna a produção dependente de mercados estratégicos e sujeita a oscilações de preços.
Os reflexos também podem atingir investimentos ligados ao agronegócio, como os Fiagros e os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), que cresceram nos últimos anos após mudanças na legislação.
“Os investidores desses ativos também podem ser impactados. Por isso, é importante analisar com cuidado e entender o quanto esses investimentos podem sofrer os efeitos do El Niño”, alerta Marilia.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na região da Linha do Equador. Esse aquecimento altera a circulação de massas de ar e provoca mudanças climáticas em diferentes regiões do planeta.
No Brasil, os efeitos costumam ser sentidos de formas distintas. Enquanto o Sul enfrenta volumes elevados de chuva, outras regiões podem registrar períodos de seca e calor intenso.
Pressão inflacionária
Segundo Thiago Godoy, educador financeiro, a preocupação não fica restrita apenas ao campo. A quebra de safra pode atingir toda a cadeia econômica, elevando os preços dos alimentos e pressionando ainda mais a inflação.
“Na ponta, para o consumidor, significa aumento no preço dos alimentos, além de todo o prejuízo financeiro que eventos extremos, como as chuvas no Rio Grande do Sul, podem causar”, avalia Thiago.
O cenário inflacionário já é delicado, principalmente em um contexto de conflito no Oriente Médio e pressão global sobre commodities.
“Qualquer fator adicional que coloque mais pressão inflacionária é prejudicial para a economia e para os investimentos”, explica Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb.
Embora o Brasil já tenha enfrentado outros episódios de El Niño no passado, o atual contexto econômico torna os efeitos potencialmente mais desafiadores, analisa Pascowitch.
“Quando um fator inflacionário se soma a outro, o cenário fica ainda mais desafiador. Isso afeta diretamente a precificação do mercado, principalmente nas expectativas para os juros no Brasil, já que a queda pode acabar sendo menor do que a esperada”, acrescenta.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.
Via CNN Brasil