Economia

Pantaneiros pedem prorrogação da vacinação e crédito especial para prejuízos

[Via Correio do Estado]

Com base no laudo técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Pantanal), que prevê mais de R$ 5 milhões de prejuízos com a retirada do gado das áreas inundadas do Pantanal, e a situação de emergência na área rural decretada pela prefeitura de Corumbá, os produtores rurais da região pedirão ao governo uma linha de crédito diferenciada para retenção de matrizes e o dobro de animais – de 1.500 para 3.000 novilhas. A cheia no Pantanal ainda deve perdurar por mais de um mês.

O presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Luciano Aguilar Leite, encaminha esta semana à Famasul e ao Governo do Estado pedido de prorrogação por 180 dias – período da situação de emergência – para a campanha de vacinação do rebanho na planície pantaneira. Outro documento foi endereço ao Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal solicitando prorrogação dos prazos para pagamento de créditos de custeio e financiamento.

“Ás aguas do Norte (Cáceres, Mato Grosso) ainda não chegaram à planície e ainda teremos um longo período de grande cheia no baixo Pantanal, em Corumbá”, explicou o dirigente ruralista. “Ainda tem muita no Paiaguás (Norte de Corumbá) e as regiões da Nhecolândia e Abobral ainda sofrerão um repiquete do Rio Paraguai, em junho, aumentando a extensão das inundações e as dificuldades de acesso”, completou.

QUEDA NA PRODUÇÃO

Segundo Luciano Leite, os efeitos da inundação deste ano devem ser sentidos nas propriedades rurais até 2019, por sua influência no score corporal das vacas de cria em um rebanho de 2,3 milhões de cabeças. “Esses animais, por serem retirados dessas áreas mais baixas, vão diminuir seu score corporal. Consequentemente, vão diminuir a produção de bezerros de maio de 2019 (da próxima estação de parição)”, observou.

Com a falta de logística adequada para a movimentação dos rebanhos, o custo total do deslocamento dos animais por meio de comitivas até os pontos de embarque deve ficar em torno de R$ 5 milhões, conforme o laudo da Embrapa Pantanal. O documento recomenda ao pantaneiro planejar o arrendamento de pastagens ou a venda dos animais para minimizar os prejuízos, priorizar a saída de vacas com cria ao pé e oferecer suporte de transporte aos bezerros com tratores ou carretas.

Grande parte do gado das áreas inundáveis na região baixa, segundo o presidente do Sindicato Rural, já foi retirada, sem grandes perdas, e a movimentação de animais ocorre agora nos pantanais do Jacadigo e do Nabileque, onde a cheia chega com maior intensidade. A régua de Ladário, considerada referência no comportamento hidrológico do Pantanal, registra nível do Rio Paraguai em 5,45 metros. Previsões indicam que o pico do rio chegará a 5,80 metros.

TOMADA DE DECISÕES

Para o presidente Luciano Leite, a falta de logística para levar as vacinas até as propriedades – a campanha começou em maio - e as dificuldades de se trabalhar com os animais nos mangueiros durante esse período impedem o cumprimento do calendário de vacinação na região do Pantanal. “Nessa época, de primeiro de maio a 15 de junho, estamos passando pelo pico da inundação nas nossas regiões”, argumentou.

De acordo com ele, o laudo da Embrapa Pantanal e o decreto de emergência oferecem o embasamento técnico para as tomadas de decisão em socorro aos pantaneiros. Ele citou, entre as medidas, o pedido de mudanças no programa de retenção de novilhas do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) junto à Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Condel/Sudeco), responsável pelo fundo na planície pantaneira.

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