[Via Correio do Estado]
"Conversando com clientes aqui nos últimos dois dias, percebi que há esses dois sentimentos contraditórios", afirmou Gianfranco Casati, presidente da Accenture, para mercados em crescimento, como América Latina e Ásia.
O executivo moderou um debate sobre quarta revolução industrial nesta quarta-feira (14) durante o Fórum Econômico Mundial para América Latina, em São Paulo.
Em outra mesa cujo tema era a economia pós-industrial, as discussões também foram focadas na formação de jovens para empregos que ainda nem existem.
Segundo os participantes dos painéis, esse desafio faz com que o mais importante seja treinar os trabalhadores para que eles tenham habilidades sociais, como capacidade de cooperar e de aprender a resolver problemas.
"Devemos ensinar as pessoas a aprender a realizar tarefas e não trabalhos. Devemos focar em atividades e não em setores", disse Angel Melguizo, diretor da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) para América Latina.
Para o ministro de Finanças da Colômbia, Mauricio Cárdenas, o desafio da revolução digital e da necessidade de inovação não é incompatível com atividades econômicas centradas no setor de commodities, como muitas latino-americanas.
Ele e outros palestrantes, como Melguizo, ressaltaram que a região precisa desenvolver novos serviços relacionados à produção de commodities.
"Isso não implica deixar de pensar em inovação. Na Colômbia, por exemplo, temos direcionado 10% dos royalties de petróleo para investir em ciência e tecnologia".
De acordo com Michael Gregoire, CEO da CA Technologies, o fato de que os latino-americanos são grandes consumidores de tecnologia é causa para otimismo. Mas, ressalta ele, a região precisa transformar esse interesse em iniciativas para gerar maior inovação. A percepção dos debatedores é de que os países latino-americanos têm ficado para trás nesse quesito.