Polícia

Organização criminosa continuou agindo depois do fim do mandato de Puccinelli

[Via Correio do Estado]

“Mesmo após o fim de seu mandato, André Puccinelli continua sendo um dos homens mais poderosos e influentes de Mato Grosso do Sul”. A declaração foi dada pelo delegado da Polícia Federal, Cleo Mazzotti, ao pedir prisão preventiva do ex-governador do Estado.

No pedido, a polícia reforça a necessidade da prisão do ex-governador, alegando que ele  representa grave risco à ordem pública, “porquanto pode, a qualquer momento, fazer uso de sua poderosa influência para a prática criminosa exposta nesta representação”.

Puccinelli é investigado pelos crimes de peculato doloso, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e por fazer parte de organização criminosa. Os crimes estão relacionados à contratação da Gráfica Alvorada, isenção fiscal concedida à JBS e transações envolvendo a MB, Proteco e Águas Guariroba.

Para a polícia, Puccinelli é “um dos coordenadores da organização criminosa” e há indícios de que a prática de novos crimes continuou mesmo depois do fim do mandato de  governador do Estado.

Prova disto é que, no ano passado, o dono da Gráfica Alvorada, Mirched Jafar Junior, outro integrante da organização, fez transferência de dinheiro que ficaram caracterizadas como pagamento de propina.

Outro indício de irregularidade, segundo a PF,  é que André Cance, o braço direito do ex-governador e responsável por realizar as negociações, continua recebendo dinheiro de propina.

LAMA ASFÁLTICA

Polícia Federal, Controladoria Geral da União e Receita Federal deflagraram, ontem (11), a quarta fase da Operação Lama Asfáltica - Máquinas de Lama. Objetivo da ação policial era desarticular organização criminosa que desviou recursos públicos com direcionamento de licitações, superfaturamento de obras, aquisição falsas ou ilícita de produtos e corrupção de servidores. A estimativa é de que o prejuízo causado aos cofres públicos seja de aproximadamente R$ 150 milhões.

Esta nova fase da investigação resulta da análise dos materiais apreendidos em fases anteriores. De acordo com a polícia, são evidentes as provas de desvios e superfaturamentos em obras públicas, com o direcionamento de licitações e o uso de documentos falsos que justificavam a continuidade e o aditamento de contratos, com a conivência de servidores públicos.

EX-GOVERNADOR

Ontem, Puccinelli foi conduzido coercitivamente para a Superintendência da PF de Campo Grande, durante a 4ª fase da Operação Lama Asfáltica. Depois, seguindo determinação judicial, ele foi encaminhado para instalação de tornozeleira eletrônica.?

Ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, pode ter a prisão preventiva decretada se não pagar fiança de R$ 1 milhão, arbitrada pela Justiça Federal, no prazo de dois dias úteis, a contar de quinta-feira (11).

Advogado de Puccinelli, Renê Siufi, adiantou que ele não tem condições de arcar com o pagamento porque teve os bens bloqueados.

No ano passado, a Justiça Federal determinou o bloqueio no valor de até R$ 43 milhões do líder do PMDB no Estado. O bloqueio está ligado à investigação da Lama Asfáltica.

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