[Via Correio do Estado]
Acusado de matar o Delegado aposentado e advogado criminalista, Paulo Magalhães de Araújo, em 2013, o réu Antônio Benitez Cristaldo prestou depoimento na manhã desta quarta-feira (29) durante júri popular no Fórum em Campo Grande. Durante depoimento, Benitez negou a participação no crime e alegou a promotoria que estava na casa de amigos jogando cartas no dia do crime.
Benitez disse que só saiu da casa dos amigos às 19h porque foi para um churrasco na casa do tio. “Acabei dormindo na casa do meu tio, no dia seguinte, peguei carona com ele, porque ele trabalhava perto da minha casa, ele me deixou na esquina em frente a uma padaria e de longe vi a movimentação da polícia na minha casa, fiquei com medo, peguei um ônibus e fui para casa de um amigo”, explicou o réu durante audiência.
Testemunha de defesa, confirmou que no dia estava jogando cartas junto com Benitez e outros amigos, confirmado a tese do autor que ele passou pela residência e foi embora logo depois.
O acusado negou que teria usado a motocicleta no crime, conforme alegou a acusação, e que havia sofrido um acidente, que causão lesão em uma das pernas, impossibilitando qualquer movimentação. “Eu sofri um acidente de moto e estava impossibilitado e não conseguia pilotar uma moto e nem mesmo um carro”, destacou.
Outra testemunha de acusação disse que foi Benitez que estava escalado para pilotar a motocicleta no dia do crime, mas acabou que Rafael Leonardo dos Santos, que também estava envolvido pilotou a motocicleta, enquanto Benitez estava no carro fazendo a escolta.
Crime
Delegado aposentado e advogado criminalista, Paulo Magalhães de Araújo foi executado a tiros de pistola 9 mm no dia 25 de junho de 2013. Vítima estava dentro do carro, um Land Rover, aguardando a filha sair da escola, na Rua Alagoas, quando José Moreira Freires, que estava na garupa de uma motocicleta, passou pelo local e disparou várias vezes contra o delegado.
Antônio Benites Cristaldo escoltava o atirador e o piloto da motocicleta, Rafael Leonardo dos Santos, em um Fiat Pálio para garantir o sucesso na execução. Rafael foi encontrado morto meses depois, no lixão da Capital.
Suspeita é que o crime foi encomendado, mas não foi esclarecido quem seria o mandante. Segundo informações, o planejamento e execução do crime teriam envolvido cifras altíssimas, até mesmo pelo fato de a vítima ser um delegado aposentado e dadas às denúncias contra diversas pessoas, desde políticos até integrantes do Judiciário.Magalhães também fazia denúncias pelo seu site Brasil Verdade.
Pelo fato de estarem amparados por habeas corpus, os acusados aguardam o julgamento em liberdade. Freires é acusado por homicídio qualificado por recurso que dificulte a defesa da vítima e mediante promessa de recompensa ou outro motivo torpe. Cristaldo responderá pelo mesmo crime e também por usar de violência ou grave ameaça contra autoridade ou qualquer outra pessoa que é chamada a intervir em processo judicial, pois teria ameaçado três testemunhas.