Trégua na chuvarada em boa parte do Estado traz alívio a produtores
De um lado, a colheita de soja sofreu com os impactos da chuvarada dos últimos meses, de outro o impacto foi considerável no plantio do milho safrinha, segundo o APROSOJA
O outono, que chegou na última segunda-feira (20), trouxe trégua ao período de chuvarada em Mato Grosso do Sul. Desde o início da semana, já foram três dias sem chuva, situação que não ocorria em Campo Grande desde o começo de março, ao menos.
Quem é beneficiado de forma direta pela interrupção da chuva é o produtor rural, que agradece, já que a colheita de soja tende a ser intensificada e, na mesma linha, o plantio do milho.
Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o fenômeno da pausa na chuva é resultado da massa de ar seco que esta sobre a região centro-oeste e que deve perdurar por uma semana em MS. Para o meteorologista do INMET, Eráclio Alves, o tempo deve manter-se firme e com temperaturas elevadas.
“O tempo deve se manter firme nesta semana, em Mato Grosso do Sul. Além disso, será marcado por baixa umidade, ocasionado por uma massa de ar seco que está passando pelo Estado”, explica.
Ainda conforme o Instituto, até o dia 22 de março já foram registrados pouco menos que 200 mm de chuva em MS. Isso representa 54,2% acima da média, já que o esperado para o mês é de 136 mm.
No Campo
No que diz respeito aos impactos no campo, o período chuvoso gerou atraso na colheita de soja e, de forma consequente, o plantio do milho. É o que aponta o boletim da Associação dos Produtores de Soja e Milho do estado de Mato Grosso do Sul (APROSOJA/MS), publicado na manhã desta quarta-feira (22).
Segundo os dados dispostos no boletim semanal, o levantamento realizado até o dia 17 deste mês pelo Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (Siga MS) indica que a colheita de soja está cerca de 25,6 pontos percentuais em atraso, se comparada à média das últimas 5 safras.
Ainda conforme o levantamento do boletim, o atraso na colheita de soja é resultado do volume de chuva recorrente nos ultimos meses.
“A operação de colheita no estado de Mato Grosso do Sul está atrasada, as chuvas recorrentes entre os meses de janeiro e fevereiro provocaram o atraso na operação em todo o Estado, para a data do dia 17 de março a colheita deveria estar próximo a 90,1%, porém está em 64,5%”, indica o documento.
Apesar do atraso na colheita, a APROSOJA estipula que a safra deste ano seja cerca de 2,5% maior em relação ao cilco do ano passado (2021/2022), o que pode atingir uma área maior que 3,8 milhões de hectares.
“A produtividade estimada é de 58 sc/ha, a média de sacas por hectare está acima do potencial produtivo das últimas 5 safras do estado. Gerando a expectativa de produção de 13,378 milhões de toneladas,” situa o arquivo.
A maioria dos municípios ainda se encontram com a colheita da soja abaixo do estipulado pelo projeto SIGA.Da soja ao milho
A APROSOJA acompanha também o plantio de milho (que caminha de forma concomitante com a colheita da soja)> Conforme o boletim divulgado hoje, a área plantada alcançou 54,6%. Isso significa que o plantio está 27,7 pontos percentuais abaixo do esperado, se comparado aos anos anteriores (2021/2022).
O atraso na operação de semeadura no estado pode afetar algumas regiões no desenvolvimento da cultura, podendo ocorrer intempéries climáticas (estiagem, geada e queda de granizo)”.
Por fim, o levantamento do APROSOJA informa que o produtor deve manter-se atento ao zoneamento agrícola de risco climático, a fim de verificar se a propriedade ou regão possui histórico de condições climáticas inapropriadas à semeadura.
Riedel produtor
Durante coletiva nesta manhã na Embrapa Panatanal, o governador Eduardo Riedel (PSDB), que é produtor rural em Maracaju, reconheceu que o período de grande intensidade de chuva dos últimos meses atrapalhou a colheita de soja e, sobretudo, o plantio de milho safrinha.
“Atrapalhou a colheita e atrapalhou o plantio de milho safrinha, nós estamos fora de época e o plantio ainda não foi concluído, já que a janela ideal é até o dia 10 de março pra algumas variedades. Já estamos aí ultrapassando o dia 20 de março e sem dúvida nenhuma que a chuvarada causou prejuízo para safrinha”, explica.
Além disso, o governador relembra que o período de estiagem pode chegar em breve e, com isso, as máquinas já estão trabalhando no campo.
Para ele, o importante a partir de agora é olhar o tempo “aí pra frente e a colheita de uma boa produtividade”. Riedel comemora as colheitas e acredita que a produtividade está com saldo positivo, apesar dos imprevistos climáticos.
“Se a chuva por um lado trouxe prejuízo operacional, de outro, trouxe também uma produtividade ótima daquilo que está sendo colhido. Faz parte da vida do produtor, é o dia a dia lidar com essas situações”, finaliza o tucano.
Em alguns municípios da região norte o plantio de milho está até melhor que em anos anteriores para esta época do ano, conforme a Aprosoja