Economia

Entenda porquê o dólar está em baixa e os preços dos produtos seguem em alta

O preço das commodities e a falta de uma política econômica estável são os principais fatores

Em 2022, o dólar acumulou queda de 16,45%, e só em abril o recuo foi de 1,05%. Enquanto isso, o Brasil registrou um aumento de 1,62% na inflação, e em Campo Grande, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou 1,73% em março.

A reportagem do Correio do Estado, conversou com o economista Henrique Amaral, e procurou entender os fatores que culminaram na queda da moeda americana, mas na continuidade do cenário de dificuldade financeira no Brasil.

Um dos principais fatores para que a moeda americana tenha ficado em queda semanas seguidas é a taxa selic, que é a taxa básica de juros da economia e o principal instrumento de política monetária usado pelo Banco Central (BC), estar em 11,57% ao ano, um atrativo para os investimentos financeiros.

Além disso, a guerra da Rússia contra a Ucrânia tem afetado também nas importações de commodities. Os países que dependem de importação de produtos de origem agropecuária ou de extração mineral, tem deixado de importar da Rússia, e buscando outros países emergentes como o Brasil.

De acordo com o economista Henrique Amaral, “a gente tem a selice em alta, o preço das commodities está em alta, isso acaba beneficiando as principais empresas brasileiras na bolsa. São empresas ou ligadas ao setor financeiro que se beneficiam da selic alta, ou ligadas a setores protudores de commodities, petróleo e produtores de alimento, então tem feito com que esse capital venha para cá e derrubado o dólar”.

Mas apesar desse cenário favorável para a moeda brasileira, há fatores que fazem com que o consumidor final não seja afetado positivamente. A alta dos preços das commodities faz com que o aumento seja repassado também para o consumidor.

“A partir do momento que a bomba do diesel, principalmente do diesel, ela é reajustada, isso acaba que desencadeia uma espiral infracionária, porque o transporte rodoviário é o principal meio modal do Brasil, tudo o que a gente faz, tudo que a gente compra, tudo o que a gente consome no sentido de bens é transportado por caminhões, que utilizam diesel, isso acaba por impactar todos os outros preços da economia”, exemplifica o economista.

Outro fator importante são as eleições brasileiras de 2022, que ocasionam em um contexto incerto nacionalmente. Henrique Amaral cita também a ingerência política e a falta de uma pauta fiscal bem definida, como fatores que prejudicam o país economicamente.

Nessa semana, o dólar teve uma recuperação, depois de três semanas seguidas em queda. No entanto, nessa sexta-feira (8), a moeda americana voltou a registrar um recuo de 0,66%, cotada a R$ 4,7094.

Um dos motivos para o fôlego da moeda americana foi a política monetária mais agressiva do Federal Reserve (Fed), o Banco Central Americano, que discutiu aumentos da taxa de referência para os juros do país e planos para a diminuição da participação do órgão em títulos.

Entretanto, a tendência do real é se valorizar. Isso ocorre devido ao aumento do IPCA, que reforça o aumento da Taxa Selic, com previsões de elevação acima de 13%, o que deve fazer com que o Banco Central eleve as taxas de juros e favoreceria a interesses de investidores que buscam rendimento em ativos mais arriscados.

Via Correio do Estado MS

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