Operação foi desencadeada contra quadrilha que clonou mais de 3 mil veículos do Exército
A Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal deflagraram, nesta quinta-feira (24), a operação Fiat Lux, contra organização criminosa que adulterou mais de 10 mil veículos, sendo 3,3 mil clonagens de viaturas do Exército.
Mandados de busca e apreensão e prisão foram cumpridos em Mato Grosso do Sul e outros 10 estados, sendo São Paulo, Minas Gerais, Tocantins, Pará, Goiás, Paraíba, Ceará, Paraná, Pernambuco e Maranhão.
Em Campo Grande, três veículos de luxo foram apreendidos em diferentes endereços, entre eles, casas no residencial Dhama.
Entre os veículos apreendidos estão uma Land Rover Defender, uma caminhonete Mitsubishi L200 Triton e uma BMW 320i.
A Polícia Federal não divulgou o nome dos investigados e proprietários envolvidos no esquema criminoso na Capital.
No total, são 82 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão cumpridos em todos os estados.
Investigação
O inquérito policial foi instaurado no fim de 2020, após a detecção de clonagem de veículos do Exército.
Conforme a Polícia Federal, os números dos chassis eram utilizados ilegalmente, com objetivo de obter documentos legítimos, de forma a tentar legalizar veículos produtos de roubo e furto.
Investigações apontaram que houve participação de servidores do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de vários estados e de despachantes, que tornaram possível a clonagem dos chassis do Exército.
No entanto, não foi constatada participação de integrantes do Exército nas fraudes.
Além da clonagem de veículos, os servidores do Detran envolvidos no esquema também criavam veículos fictícios, que existiam apenas no Sistema Federal da Secretaria Nacional de Trânsito, o que permitia a realização de financiamentos e participação em consórcios.
Com a falsificação, os veículos eram dados como garantia em operações financeiras, configurando crime contra o Sistema Financeiro Nacional.
Também foi apurado na investigação que os servidores do Detran e despachantes inseriam, no Sistema Federal de Registro de Veículos Automotores, automóveis comprados na Zona Franca de Manaus – com isenção de PIS e Confins – e emplacavam indevidamente esses carros em São Paulo para burlar a fiscalização.
Com isso, o abatimento ilegal de cada veículo girava em torno de R$ 30 a R$ 40 mil.
Após o abatimento, os veículos eram revendidos sem recolhimento de impostos.
Em aproximadamente 300 automóveis foi identificado o uso de documentos falsificados.
Ainda segundo a Polícia Federal, as fraudes veiculares causaram prejuízo de mais de R$ 500 milhões.
Nos 10 meses de investigação, foram recuperados R$ 35 milhões em veículos, a maioria caminhonetes e automóveis de luxo, como os apreendidos em Campo Grande.
O Poder Judiciário determinou o afastamento das funções de 95 servidores do Detran dos estados de São Paulo, Tocantins e Minas Gerais.
Os suspeitos poderão responder pelos crimes de inserção de dados falsos, financiamento fraudulento, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Via Correio do Estado MS