Diagnóstico faz parte do boletim do Serviço Geológico do Brasil
Com a estiagem em Mato Grosso do Sul, o período de cheias do Rio Pantanal vem sendo cada vez mais afetado pela falta de água nas nascentes e reflete em medições muito abaixo do normal. Como exemplo, o nível da estação de Ladário (MS), continua em queda e na sexta-feira (1) chegou a -40 cm, conforme o monitoramento hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM).
De acordo com o levantamento para as próximas semanas estão previstas ocorrências de pequenas precipitações na área da bacia do Rio Paraguai, com uma maior incidência de pequenos acumulados de chuva, a partir da segunda semana do mês de outubro e se distribuindo de maneira aleatória sobre toda a área da bacia.
Pelo segundo ano consecutivo, a cheia do rio Paraguai, que drena a Bacia do Alto Paraguai e o bioma Pantanal, não ocorre em decorrência da crise hídrica. O local vem apresentando valores de nível d’água significativamente abaixo da média.
No ano passado, neste mesmo período, a régua de Ladário marcou 266 centímetros, enquanto atualmente vem registrando índices negativos há semanas.
Na época de inverno e de seca, em julho e agosto, o ideal seria que o rio atingisse a marca dos 4,5 metros. Nos períodos mais abundantes, o nível chega a superar 5 metros próximo de Corumbá. Em 2018, o pico chegou a 5,35 metros. Enquanto neste ano, a máxima alcançada na régua de Ladário foi em abril, com 1,88 metro.
“Nesta última semana o rio Paraguai manteve a tendência de declínio do seu nível em quase todas as estações de monitoramento em sua calha. Os valores do nível d’ água registrado nas estações fluviométricas permanece atingindo os menores valores mínimos já observados para esse período do ano”, diz o boletim.
Até a última sexta-feira (1), Porto Murtinho estava com 0,92 centímetros; Porto Esperança -116 cm e com Forte Coimbra -159 cm.
Impactos da estiagem
A bacia do rio Paraguai abrange uma das maiores extensões de áreas alagadas do planeta: o Pantanal.
A falta de chuva na região traz consequências não apenas ambientais, mas também para a navegação no rio, já que nos próximos dias a régua tende a baixar ainda mais, o que pode inviabilizar o uso da hidrovia para transporte de cargas e prejudicar o escoamento de produções.
Outro problema que ronda a região é o abastecimento de água. Alguns municípios estão planejando captação de água alternativa com o uso de bombas móveis.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontou uma “anomalia de precipitação” na região do Pantanal, com deficit de chuva em torno de 40% desde outubro de 2020.
Via Correio do Estado