Mulher de muleta não consegue votar por falta de acessibilidade
Via Correio do Estado
Moradora de Campo Grande, Angel Campos Magalhães, de 23 anos, acordou cedo para votar neste domingo, mas não conseguiu. Depois de passar por três locais diferentes de votação, a jovem, que tem uma perna amputada e anda de muletas, não conseguiu chegar até a sessão indicada por conta de escada.
“Como fui no primeiro horário, deixei a prótese em casa e fui de muletas. Cheguei na Escola Padrão, na Avenida Mato Grosso, onde sempre votei, e lá me informaram que a escola tinha mudado para a Rua Joaquim Murtinho com a Avenida Ceará. Segui pra lá, e me informaram que a votação daquela escola estava sendo na Ceará com a Euclides da Cunha, na faculdade Cesumar”, contou a fotógrafa.
Ao chegar na terceira escola, Angel pensou que finalmente iria votar. “Cheguei lá e me deparei com lances enormes de escada. Na parte térrea tinham duas sessões funcionando, mas não eram a minha, a minha era na parte superior. Mas como eu estava de muleta, sem a prótese, não consegui subir a escada, então, não votei, pois no lugar não tinha elevador e nem rampa”, reforçou Angel.
Sem conseguir se locomover até a sessão, funcionários tiveram que registrar que ela compareceu, mas não conseguiu votar. “Pegaram meus documentos e registraram em ata que eu fui votar, mas não consegui. Enquanto aguardava o procedimento, vários idosos reclamaram de terem de subir os lances de escada.”
Indignada, a eleitora disse que vai fazer reclamação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) nesta segunda-feira (3).
“Já fiz a reclamação ao Ministério Público Estadual e Federal, amanhã faço no TRE. Isso que aconteceu comigo é um absurdo. E se cadeirantes aparecessem por lá, como iriam votar? O voto é obrigatório e eu não pude exercê-lo”, pontuou.
Com necessidade especial desde 2013, quando perdeu quase toda a perna esquerda em acidente de trânsito, Angel se sente revoltada com a falta de acessibilidade para pessoas com necessidades especiais.
“Diversas pessoas passam por isso e acabam não falando nada, as pessoas não sabem nem como denunciar em casos como este, um absurdo, eu não consegui votar”, finalizou.