[Via Correio do Estado]
O ex-secretário Sérgio de Paula, que atuou como titular da Casa Civil durante os dois primeiros anos de gestão do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), também é um dos alvos da Operação Vostok da Polícia Federal. O Correio do Estado apurou que neste momento ele é levado por agentes da Polícia Federal para a superintendência em Campo Grande.
Em março deste ano, o Ministério Público do Estado (MPMS) denunciou o ex-secretário à Justiça por enriquecimento ilícito e utilização de avião público para viagem particular com a família. A ação civil pública foi ajuizada pelo promotor Humberto Lapa Ferri, da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande. Na época o juiz Marcel Henry Batista de Arruda informou que existiam vários indícios de que o ex-secretário utilizou do veículo público para agenda pessoal.
Conforme a denúncia, no dia 14 de junho de 2016, Sérgio de Paula usou a aeronave oficial do Estado juntamente com a família para participar do velório do pai dele, em Andradina (SP). No dia 22 de junho de 2016, ele usou novamente a aeronave para participar da missa de sétimo dia. O custo total com os dois voos foi de R$ 7.025,01.
Mas a primeira polêmica envolvendo o ex-secretário, que custou a saída dele do primeiro escalão, foi em maio de 2017 quando o proprietário do curtume Braz Peli Comércio de Couros Ltda, José Alberto Berger, acusou integrantes do governo estadual de extorsão. Ele filmou, em 8 de dezembro de 2016, pagamento de propina a José Ricardo Guitti, conhecido por Polaco, e disse que os R$ 30 mil seriam justamente para Sérgio de Paula. Depois da denúncia, houve uma devassa no contrato de benefício concedido a Braz Peli, com auditoria em mais de R$ 5 bilhões em notas emitidas.
No dia 13 de dezembro de 2017, a empresa perdeu na Justiça a liminar que mantinha os benefícios fiscais da empresa com a administração de Mato Grosso do Sul. A decisão foi assinada pelo desembargador Claudionor Miguel Abss Duarte, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).
Operação Vostok
As investigações tiveram início neste ano, e tiveram como ponto de partida delação de empresários do grupo JBS. A ação envolve 220 policiais federais que cumprem 220 mandados de busca e apreensão, 14 de mandados de prisão temporária em Campo Grande, Aquidauana, Dourados, Maracaju, Guia Lopes da Laguna e na cidade de Trairão (PA). Os mandados foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O inquérito da PF apontou que até 30% dos créditos tributários (incentivos fiscais ao grupo JBS) eram revertidos em proveito do grupo, que os policiais federais chamam de “organização criminosa”. A Operação da Polícia Federal foi denominada “Vostok”, o mesmo de uma estação de pesquisa da Rússia na Antártida e, segundo a PF, tão fria quanto as notas utilizadas para lavar a propina da JBS.
As propinas foram pagas por meio de doação eleitoral para a campanha de 2015, e também em espécie, nas cidades de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), em 2015.
- Rodrigo de Souza e Silva (filho de Reinaldo Azambuja, governador de MS)
- Ivanildo da Cunha Miranda
- João Roberto Baird
- José Ricardo Guitti Guimaro (o Polaco)
- Antonio Celso Cortez
- Elvio Rodrigues
- Francisco Carlos Freire de Oliveira
- José Roberto Teixeira (deputado Zé Teixeira)
- Marcio Campos Monteiro (conselheiro do Tribunal de Contas de MS)
- Miltro Rodrigues Pereira
- Nelson Cintra Ribeiro (ex-prefeito de Porto Murtinho)
- Osvane Aparecido Ramos
- Rubens Massahiro Matsuda
- Zelito Alves Ribeiro