
BRASÍLIA (Reuters) – Ato derradeiro antes da votação final do impeachment, o depoimento da presidente Dilma Rousseff, na segunda-feira, promete ser ainda mais tenso do que vêm sendo as sessões do julgamento da petista no Senado, apesar da tentativa de alguns em serenar os ânimos.
Advogado da presidente afastada, o ex-ministro da Justiça e da Advocacia-Geral da União José Eduardo Cardozo afirmou não temer que o depoimento se transforme em mais uma batalha no Senado.
“A presidente vai fazer um discurso de estadista. Não terá provocação”, afirmou.
A julgar pelos dois dias de depoimentos de testemunhas até aqui, no entanto, dificilmente deixará de haver duros embates no plenário.
“Se alguém levantar o tom com ela, nós vamos responder. Qualquer ação vai gerar uma reação, está tudo à flor da pele”, afirmou a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).
“Acho que vamos ter um debate muito forte, mas não dá para prever se vai sair do controle. Pela tensão que está no plenário, não é impossível.”
No domingo, líderes da base governista vão fazer uma reunião para traçar uma estratégia para o depoimento de Dilma. Fontes do Senado afirmam que o próprio presidente interino Michel Temer participaria do encontro, o que o Planalto nega.
O encontro seria para traçar uma estratégia para os questionamentos à presidente afastada e também para tentar evitar que uma agressividade maior acabe colocando Dilma no papel de vítima.