[Via Folha de São Paulo]
Bancos e fundos nacionais e internacionais foram convidados para, nesta segunda-feira (7), em São Paulo, se reunirem com empreendedores sociais e Young Global Leaders, no primeiro encontro no Brasil da série ScaleShop, que pretende potencializar investimentos em projetos sociais.
“Muito se falou sobre o investimento de impacto nos últimos dez anos, mas a ação não está acontecendo”, afirma Katherine Brown, líder da área no Fórum Econômico Mundial. “Esse financiamento ainda é tido como utópico.”
A iniciativa é uma realização do Fórum Econômico Mundial, que, ao analisar o contexto do financiamento de projetos de impacto ao redor do mundo, observou que a relação entre investidores e empreendedores sociais precisava ser fomentada.
Na inédita edição brasileira, o fórum trouxe a São Paulo representantes do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do IFC (International Finance Corporation), braço do Banco Mundial com projetos nos países emergentes. Também estavam na mesa fundos nacionais de investimento em negócios sociais, como a Vox Capital.
Do outro lado da mesa, sentaram-se 15 empreendedores, entre eles Roberto Kikawa, do Cies (Centro de Integração de Educação e Saúde), e Gisela Solymos, do Cren (Centro de Recuperação e Educação Nutricional), vencedores do Prêmio Empreendedor Social em 2010 e 2011.
CONTEXTO DE CRISE
O potencial para captar recursos vem em boa hora, pois a crise econômica afeta investimentos públicos e privados.
De acordo com Mauricio Prado, diretor-executivo da consultoria Plano CDE, especializada em iniciativas para a base pirâmide, a conjuntura turbulenta do país tem afetado diretamente o financiamento do terceiro setor.
“Fundos de impacto estão com dificuldade em encontrar investidores”, analisa o consultor. “Fundações e institutos cortam seus orçamentos, e muitos negócios sociais focam políticas públicas e dependem do governo, que também limita seus gastos.”
Para Brown, a crise significa oportunidades para negócios sociais no mundo todo. Ela pondera que “o Brasil não atrai investidores internacionais”. “A conversa ainda está na esfera nacional.”
Com atuação global, segundo ela, o Fórum começou a pensar, há um ano, de que forma poderia catalisar mais investimentos para negócios sociais. “Foram seis meses de conversas”, explica Brown sobre a definição do modelo da série de encontros.
As discussões levaram ao lançamento do ScaleShop em São Francisco (EUA), onde o mercado de aceleração para start-ups comerciais já está consolidado. “Esse evento foi mais uma conversa sobre como poderíamos fazer essa aceleração em escala na área social”, esclarece Brown.
O segundo foi realizado na África, com 14 participantes -sete investidores e sete líderes sociais. Os organizadores destacam a importância de o evento ser regionalizado e de aproximar as duas pontas. “[É preciso] Definir os desafios de cada região e gerar escala. Isso não é possível sem catalisar investimento”, diz Brown.