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Reduto francês, padaria vira arquibancada para empurrar seleção azul à final da Copa

Redação

[Via Correio do Estado]

A língua é o francês, o vinho tinto dá lugar à cerveja e o queijo substitui o amendoim. Mas o “uh” quando a bola passa pertinho da trave é o mesmo do torcedor brasileiro.

Reduto francês em Campo Grande, a padaria La Parisienne reuniu fãs da seleção europeia para acompanhar a partida semifinal da Copa do Mundo, contra a Bélgica, na tarde desta terça-feira (10). O gol do zagueiro Umtiti colocou os Azuis na decisão, contra Inglaterra ou Croácia, que duelam nesta quarta (11), às 14h.

Aberta há dois anos no centro da cidade, La Parisienne poderia muito bem funcionar na Avenida Champs-Élysées, principal via da capital francesa, o que deixa a professora e artista plástica, Soniá Stransky, 36 anos, à vontade para palpitar sobre o jogo.

“Este time é mais legal que o de 2010, de 2014. Benzema e Ribery eram arrogantes. Dá para sentir que este ano o futebol é mais coletivo”, disse. Natutal de Paris, Soniá vive em Campo Grande há seis anos.

“Agora é gol”, torcia a francesa quando Antoine Griezmann se preparava para cobrar uma falta próxima à área, aos 43 minutos do segundo tempo. O gol não saiu.

Soniá estava em Paris até segunda-feira (9). Segundo ela, o clima no país é de otimismo e união em torno da equipe do técnico Didier Deschamps.

Neymar, jogador brasileiro do Paris Saint-Germain-FRA, também foi assunto nos bares e bistrôs da França. “Na Copa, ele não foi o Neymar que os torcedores do PSG se acostumaram a ver. Foi a sombra dele mesmo”, analisou.

Também parisiense, o engenheiro civil Henri Simon, 27, veio ao Brasil para fazer intercâmbio em Juiz de Fora (MG). Em visita ao Rio de Janeiro (RJ), conheceu a esposa, Bruna Ortale Simon, 25, que é de Campo Grande, onde o casal vive atualmente.

“Eu era criança em 1998, quando a França foi campeã, e foi quando comecei a me apaixonar por futebol”, lembrou.

Durante o intervalo da partida, Simon era mais realista sobre as expectativas por um bicampeonato. “Vamos ver. Se passarmos pela Bélgica, aí sim seremos favoritos”.

A eliminação da Seleção Brasileira ainda salvou o casal de um possível conflito. “Já tínhamos até combinado. Veríamos o jogo separados, para não dar briga”, afirmou Simon. “Agora é torcer para a França vingar o Brasil”, revelou Bruna.

E vingou. Aos 6 minutos do segundo tempo, o pedaço francês em Campo Grande fez festa com o gol do zagueiro Umtiti, que o decretou a vitória dos Azuis pelo placar mínimo.

Freddy Ayache, 29, proprietário e padeiro de La Parisienne com a esposa, a campo-grandense Paolla Ayache, 28, disse que a cabeçada lembrou a de Zinedine Zidane na final do Mundial de 1998, contra o Brasil.

Os dois se conheceram no Canadá, onde estudaram inglês juntos. Uma viagem de Paolla à França fez a amizade se tornar casamento anos mais tarde, já em Campo Grande, cidade escolhida pela dupla para abrir a padaria.

“Os franceses se sentem em casa aqui. O cardápio é todo voltado para as tradicionais padarias de lá, nós falamos francês. Diferente daspadarias brasileiras, a gente não trabalha com coxinha e brigadeiro, por exemplo”, explicou Paolla.

FUTEBOL NO SANGUE

O interesse de Freddy Ayache pelo futebol vem de família, já que o pai, William Ayache, ex-jogador, disputou a Copa de 1986 pela França. O lateral-direito atuou em tradicionais clubes franceses, como Nantes, PSG e Olympique de Marselha.

Depois do jogo, Ayache projetou a final na Rússia e ainda arriscou um palpite. “Final de Copa não se joga. Se ganha. Acredito que passa a Inglaterra. Vai ser um jogo duro, como foi contra a Bélgica. A França joga melhor quando não é favorita, como foi hoje. Mas acredito em um 2 x 1 para a França”.

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