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Saúde

Unidade do Trauma só estará 100% operante em dezembro

Redação

[Via Correio do Estado]

No primeiro dia de funcionamento da Unidade do Trauma, da Santa Casa de Campo Grande, 51 pacientes ocupam leitos no local. A transferência dos que estavam no setor de ortopedia, que tem apenas 39 vagas, começou no fim da manhã de ontem. Mesmo com o início do funcionamento do local, o prédio só deverá estar 100% operante em dezembro.

A previsão inicial do presidente da Associação Beneficente (ABCG), que administra a Santa Casa, Esacheu Nascimento, é de que toda a unidade passe a funcionar integralmente após a formalização dos repasses necessários para manter o custeio do novo setor. As verbas extras solicitadas que podem chegar a R$ 10 milhões, ainda não estão garantidas junto ao Ministério da Saúde.

“Esperamos estar em pleno funcionamento até dezembro. A Santa Casa precisou fazer um plano operativo, que está em análise. Mas por quanto o recurso da União está apenas em palavra, que é de repassar R$ 6 milhões a partir de dezembro”, disse Nascimento.

Por enquanto a única garantia é um repasse “extra” no valor de R$ 2 milhões pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). O titular da pasta, Carlos Coimbra, confirmou o envio da quantia a partir do próximo mês, “após o início das atividades da unidade”. O Ministério da Saúde também vai repassar, de acordo com a ABCG e a SES, quantias a partir deste mês. Serão R$ 6 milhões em setembro, e então R$ 2 milhões, R$ 4 milhões e R$ 6 milhões, entre outubro e dezembro, respectivamente.

DEMORA
A conclusão da obra se arrastou por 23 anos - desde a década de 1990. O local inicialmente seria uma nova maternidade, projeto que foi modificado. A obra parou pela última vez em 2013 e posteriorente foi retomada em janeiro de 2016. Na nova etapa o valor licitado foi de R$ 8.701.224,58 e a Poligonal Engenharia apresentou proposta de R$ 8.440.167.45, desconto de R$ 261.057,13, aproximadamente 3% do valor inicial. Ao todo foram R$ 32 milhões em investimentos, sendo R$ 20 milhões referente a estrutura que ficou parada desde os anos 90 e R$ 12 milhões referente aos últimos repasses do Ministério da Saúde.

A partir do momento em que a Santa Casa colocar a Unidade do Trauma em funcionamento, ela deverá contará com orçamento anual de R$ 363,60 milhões. Atualmente, a ABCG recebe R$ 20,3 milhões por mês para atender pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com a efetiva operação do novo setor, serão R$ 30,3 milhões mensais.

A quantia complementar é para a operação do anexo que terá 126 leitos - entre Unidade de Terapia Intensiva (UTI - 10 leitos), enfermarias (98) e observação (18), além de cinco salas de cirurgia. Caso seja aprovado o novo custeio vai elevar o repasse anual em R$ 120 milhões, passando de R$  243,6 milhões atuais para R$ 363,6 milhões. A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) questiona os números, pois a Santa Casa não revela como chegou ao valor do custeio e também não explica como foram feitos os cálculos.

A Santa Casa pleiteia aumento de repasses há anos e em 2017, a contratualização do hospital com a prefeitura ficou emperrada por não haver acordo sobre o reajuste, que chagaria a R$ 3,5 milhões. O hospital não aceitou assinar novo contrato que não incorporasse o aumento pedido ou, pelo menos, cláusula indicando redução de 30% no encaminhamento de pacientes por meio da regulação - este atendido, mas não colocado no papel.

Agora, a promessa é que o Ministério da Saúde repasse R$ 6,2 milhões para que os atendimentos na unidade comecem. Além disso, Estado e gestão municipal transfeririam R$ 3,8 milhões (R$ 1,9 milhão cada um) para completar os R$ 10 milhões que seriam necessários para a manutenção do novo hospital.

A previsão é que a nova unidade tenha capacidade para realizar anualmente 10 mil internações, nove mil cirurgias, 500 internações, 10 mil consultas, além de ampliar os serviços de diagnósticos clínicos e de imagens. A lotação máxima do novo setor será de 252 pacientes e acompanhantes, além de funcionários.

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