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Último adeus alivia angustia de família que esperou 144 dias para enterrar idoso

[Via Campo Grande News]

Foram exatos 144 dias de espera para uma despedida adiada por diversas vezes, desde fevereiro. No velório do senhor Joaquim de Souza Santos, 64 anos, o último adeus depois de tanto tempo amenizou parte da angústia dos 13 familiares presentes.

“É um alívio poder enterrar ele depois de todo o transtorno pelo corpo ter ficado tanto tempoparado no IMOL. Mas agora resta ainda angústia de não sabermos nem ao menos, como ele morreu”, comentou a sobrinha, Márcia Santos Teodoro, 27 anos.

Desde que o corpo de Joaquim foi encontrado em avançado estado de decomposição, no último 27 de fevereiro, em um terreno baldio, na Vila Morumbi, o Campo Grande News acompanhou de perto a história da família enquanto esperava a liberação do corpo.

A justificava pelo atraso na liberação era a falta de reagentes no IMOL (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) para que fosse feito o exame de DNA. Até a aquisição dos materiais, na última semana, os familiares enfrentaram uma verdadeira sabatina.

“Tentamos fazer de tudo. Procuramos a defensoria pública e entramos até com uma ação para agilizar a liberação do corpo e só agora, quase cinco meses depois que fomos conseguir”, relembra.

Quando finalmente o impasse parecia ter fim, nesta quinta-feira (20), data prevista para a liberação, a situação teve mais dois novos capítulos.

“Ontem, quando a pax foi tentar registrar a certidão de óbito o cartório não quis aceitar a retirada, pois entenderam que o corpo tinha ficado esse tempo no IMOL porque a família não reconhecia. Tivemos que de novo acionar a justiça para conseguir a autorização”, comenta.

Contudo, hoje, depois de mais esse transtorno quando foram novamente tentar retirar o corpo de Joaquim no Imol, funcionários disseram que o corpo não seria liberado por falta de energia elétrica.

“Uma hora antes do enterro. Com todo mundo esperando para enterrar o corpo. Tivemos que dizer até que a imprensa estaria aqui para ver se eles liberavam até que conseguimos”, se queixa.
Contudo, a revolta ficou de lado durante o rápido enterro, esta tarde (21) no Cemitério Santo Amaro.

“Ele era uma pessoa ótima. Tinha amizade com todo mundo era muito adorado pelos amigos”, conta. Mas o alivio pelo fim de tanta espera ainda não é maior do que o sentimento de injustiça.

“Só vamos ter paz quando soubermos o que de fato aconteceu com meu tio”, conclui.

Investigação - A Polícia Civil ainda investiga o caso como morte a esclarecer e a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) também não deu retorno, até a conclusão da reportagem, para comentar sobre a falta de energia no instituto.

O crime - Joaquim havia saído para receber pagamento de cerca de R$ 2 mil e não voltou mais para a casa. Depois de sete dias, o corpo dele foi encontrado nu, pela Rua Dom Duarte da Costa, na Vila Morumbi, em Campo Grande.

Ainda não se saber se o idoso conseguiu sacar a quantia. Nenhum dinheiro foi encontrado com ele. Enquanto esteve desaparecido, a família ligou insistentemente para o idoso, que chegou a atender ao celular. Mas, ele apenas pedia água e não sabia dizer onde estava.

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