[Via Correio do Estado]
A partir de hoje, pessoas que procurarem atendimento de emergência na Santa Casa de Campo Grande sem serem encaminhados por outras unidades não serão atendidos. Nesta manhã, a situação é tranquila no pronto-socorro e faixa é afixada na entrada do setor para avisar sobre a mudança.
De acordo com a Santa Casa, diariamente pelo menos 200 pessoas procuram o pronto-socorro sem encaminhado de postos de saúde ou Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Esse número representa 80% do atendimento diário do hospital, segundo a direção.
A chamada demanda espontânea seria uma das responsáveis por lotação da unidade e, por isso, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) decidiu pela suspensão do atendimento.
Patrícia Rezende Flores, 30 anos, cabeleireira, acredita que essa proibição da Sesau vai causar problemas porque vai superlotar os postos de saúde que já são precários. "Os postos não têm a estrutura que a Santa Casa tem. Se alguém chegar precisando não pode ser mandado embora pro posto", comenta. Ela acompanha o marido que está internado.
DECISÃO
Conforme ofício enviado em janeiro para a Santa Casa, "a partir de 1º de fevereiro de 2017, em todas as solicitações de Autorização de Internação Hospitalar em caráter de urgência, além da justificativa de internação, ou seja, o quadro clínico do paciente, deve ser informada a origem do paciente".
Esta informação pode ser senha do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ou da Coordenadoria de Regulação Hospitalar ou da Central Estadual de Regulação. Em caso de demanda espontânea, a solicitação de internação não será recebida.
Conforme a Sesau, procedimento é considerado de praxe e medida, que tem relação com diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), evita que Município pague por pacientes do interior que vem espontaneamente a Capital e procuram atendimento direto na Santa Casa, por exemplo.
Outra orientação da Sesau é que a Santa Casa confirme as internações do SUS no Sistema Nacional de Regulação (Sisreg) em até 48 horas, com risco do cancelamento automático da reserva dos leitos. Administração do hospital informou que irá cumprir a medida e restringirá atendimento.
Com a mudança, serão atendidas aproximadamente 50 pessoas. Isto porque maioria dos atendimentos eram de demandas espontâneas, ou seja, de pessoas que procuravam o hospital diretamente, sem terem sido encaminhados.
Segundo a promotora de Justiça da Saúde de Campo Grande, Filomena Aparecida Depólito Fluminhan, restrição no atendimento será acompanhada pelo Ministério Público Estadual (MPE).