[Via Correio do Estado]
O ex-secretário estadual de Saúde de Sérgio Cabral, Sérgio Côrtes, será interrogado nesta sexta-feira pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal. A audiência faz parte da Operação Fatura Exposta.
Serão ouvidos ainda os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita, cujas empresas teriam sido favorecidas nos contratos públicos em troca de propina, além de Carlos Miranda. Este admitiu ter sido operador de Cabral e movimentado as vantagens ilícitas.
Na investigação, os procuradores acusam o ex-governador de liderar a organização criminosa que desviou R$ 300 milhões da Saúde. O valor representa 10% de contratos nacionais e internacionais, divididos como propina entre os integrantes da quadrilha.
Sérgio Cabral ficaria com 5%; Sérgio Côrtes, com 2%. O restante seria dividido entre o subsecretário de saúde, Cesar Romero, e o Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Côrtes foi um dos integrantes do grupo que participou do episódio conhecido como "farra dos guardanapos". Na ocasião, em 2009, outros acusados de envolvimento em esquemas de corrupção foram fotografados em Paris usando guardanapos amarrados na cabeça.
Para o MPF, a "farra dos guardanapos" pode ter sido uma celebração antecipada da organização criminosa com a vitória da Rio-2016, vislumbrando novos desvios de verba pública.
Côrtes: 'Nossas p... têm que continuar'
Côrtes foi preso em abril do ano passado e solto às vésperas do carnaval deste ano por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. De acordo com a investigação, o secretário chegou a desconfiar que o empresário Miguel Iskin negociava uma delação premiada.
Côrtes, então, tentou convencê-lo a falar aos procuradores somente parte do que sabia.
"Meu chapa, você pode tentar negociar uma coisa ligada a campanhas. Pode salvar seu negócio. Podemos passar pouco tempo na cadeia (...) Mas nossas putarias têm que continuar", escreveu o ex-secretário por e-mail.