[Via Correio do Estado]
O vereador André Salineiro (PSDB) voltou a criar polêmica na Câmara Municipal de Campo Grande. Desta vez, ele atacou os colegas que foram contra seu projeto de lei que criava o "Sistema Municipal de Coleta Móvel de Sangue”. O texto que estava sendo apreciado em segunda votação foi rejeitado pelos parlamentares por 18 x 7.
Tudo começou quando o colega de partido, vereador Delegado Wellington, afirmou que a matéria não era de competência do município e sim do Estado.
Salineiro rebateu afirmando que foi pego de surpresa. “Os colegas que iam votar contra não me avisaram. Nem me preparei para defender o projeto. Achei que não precisaria de uma discussão nessa segunda votação. Fique a vontade os que querem votar contra, e a favor da bancada do prefeito. É mais um voto político”, reclamou.
O também tucano, João César Mattogrosso, pediu que Salineiro tomasse cuidado com as palavras. “Não é bancada do prefeito. Cada um aqui tem sua independência. Esse microfone tem que ter cuidado com o que fala”.
Também integrando o PSDB, Junior Longo questionou a postura do colega. “Tem que haver eficácia no voto. Não adianta aprovar aqui, ser vetado pelo prefeito e ter que aprovar o veto depois”.
Carlão (PSB) ponderou que a matéria também deve ser analisada quanto ao fator financeiro. “Falar em saúde não é apenas fazer projeto autorizativo. A saúde tem que ter recursos”.
Ao final da derrota nos votos. Delegado Wellington ainda pediu a retratação de Salineiro. “Parafraseando o ministro Barroso: 'foi bilis, foi pitada de psicopatia, foi ódio'. Gostaria de fazer uma questão de ordem que se praticar ofensas físicas ou morais sobre outro parlamentar é censura. Temos que votar nessa casa com nossa consciência”, defendeu.
O delegado ainda acrescentou a situação que foi gerada. “Temos que ter responsabilidade de saber o que pode e o que não pode. Gostaria que o vereador André. pela nobreza e pela educação que tem, viesse aqui e não colocasse palavras na boca dos demais. Vamos ser comedidos para usar o parlatório. Palavras geram mal-estar e não acrescentam em nada. Gostaria que o vereador se retratasse”. Mas Salineiro recusou o pedido.
Em defesa do colega, Vinicíus Siqueira (DEM) foi contra as palavras do delegado. “Acho inadimissível que alguém venha aqui e diga que seja inadimissível falar alguma coisa. Aqui nesse microfone temos liberdade de expressão. Recriminar a palavra do colega não acho justo”.
Em seguidam Carlão afirmou: “vereador pode falar o que quiser, mas tem que escutar o que não quiser. Ele foi muito mal na declaração de voto. Falando absurdos dos colegas. Aqui somos parceiros e amigos. Somos 29 cabeças pensando e ninguém vai seguir carreirinha de trilho. Acho que temos que respeitar, sim.
A sociedade espera de nós união que vai dar frutos em prol a eles. Não é briga interna que vai resolver o problema da saúde."
NÃO É CASO ISOLADO
Salineiro entrou em polêmica também quando comentou na tribuna que a polícia poderia bater em índios que fizessem manifestação. O comentário foi feito depois que houve protesto que interditou rodovia neste mês.
“O Governo tem que ter uma atitude mais rígida e mudar essa nossa lei que é muito fraca. Tem que chegar sabe como? Chegar com policiamento e, se não tiver conversa, tem que descer o cacete mesmo. Tem que apanhar porque senão eles vão revidar senão eles não vão mudar essa atitude e todos nós seremos prejudicados", disse o vereador na tribuna, no dia 7 de março.
Depois ele ponderou que se excedeu. No dia 8 de março, indígenas foram até a Câmara cobrar posicionamento do vereador. O assunto ainda repercutiu na Assembleia Legislativa.
Esse não foi o único atrito de Salineiro. Em abril do ano passado, ele e Carlão trocaram farpas. Isso porque o vereador do PSDB havia pedido prorrogação da sessão, mas o colega do PSD reclamou. O pedido ocorreu porque Salineiro havia apresentado requerimento pedindo cópias do contrato da CG Solurb e da JBS, mas não havia quórum no plenário para votação.