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Rota de ministros, Estado fica sem projetos e recursos

Redação

[Via Correio do Estado]

Em 58 dias, sete ministros da administração do presidente Jair Bolsonaro (PSL) estiveram em Mato Grosso do Sul. Mas nem mesmo os considerados “da casa”, por serem sul-mato-grossenses, Tereza Cristina e Luiz Henrique Mandetta, ambos do DEM, conseguiram emplacar grandes projetos e liberar recursos de peso para o Estado.

Foram visitas de representantes de ministérios diversos, como Ciência e Tecnologia Mulher e Turismo, entre outros. Eles participaram de agendas que incluíram entrega de veículos, palestra e a largada do Rally dos Sertões, no fim de semana passado.

A semana mais movimentada foi entre os dias 22 e 26 de julho, com três ministros: Mandetta e Tereza – ambos em um único dia – e por último Marcos Pontes – da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Mandetta e Tereza foram os que mais tiveram “compromissos” na Capital desde quando assumiram seus ministérios, cada um participou de pelo menos três.

A agenda do ministro da Saúde, Mandetta, e a ministra da Agricultura, Tereza, em Campo Grande, no dia 22 de julho, foi para entrega de quatro caminhões de lixo para cidades do interior. Em uma manhã, o ex-deputado federal participou de agendas na Unidade de Saúde da Família (USF) Iracy Coelho – o local foi lançado como o primeiro a fazer parte do programa Saúde na Hora do País, com horário de atendimento estendido – e depois encontrou a ministra mais bem avaliada da atual administração no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo.

No encontro mais formal, ambos foram muito elogiados e lembrados por quase todos os que usaram o microfone como os dois ministros mais bem avaliados do governo federal, de acordo com levantamento do Congresso em Foco divulgado na semana anterior. A visita foi para formalizar a liberação de R$ 167 milhões para a saúde. Mas todo o recurso foi negociado em 2018, inclusive com emendas feitas por Mandetta e Tereza enquanto ainda eram deputados federais.

O único valor “novo” em recursos foi o de R$ 9,5 milhões – quantia inferior aos R$ 25 milhões solicitados pela prefeitura da Capital –, que deveriam ser usados no combate à dengue. Mas, por conta da demora, o repasse foi apenas para “tapar o buraco” do que já havia sido gasto. “Até agora, de liberação [de recursos] nada. Nós recebemos um retorno de gastos, que a gente fez na época da dengue, do Ministério da Saúde”, disse o prefeito Marcos Trad (PSD).

Já no dia 26 de julho, foi a vez do astronauta e ministro – talvez o mais popular e requisitado para fotos – Pontes participar do encerramento da 71ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A visita na Capital ocorreu na mesma semana em que o presidente Bolsonaro criticou dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre as queimadas, que agora ganharam mais polêmica por conta da Amazônia. Na época, Pontes tomou partido e apoiou a posição do presidente – e, em seguida, o diretor do Inpe, Ricardo Galvão, acabou exonerado do cargo.

COMEÇO

As visitas de cortesia tiveram início no dia 28 de junho, com a agenda da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Ela entregou sete viaturas para conselhos tutelares do interior e fez um “clamor”, chamando a responsabilidade dos parlamentares presentes para que garantissem emenda para beneficiar o município de Selvíria, que ficou sem o veículo.

Já o ministro da Justiça, Sergio Moro, passou pelo Estado no dia 3 de junho. O avião dele pousou em Dourados, a 230 quilômetros da Capital, de onde a comitiva ministerial partiu para Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. A agenda de Moro era com o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, para lançar a Operação Nova Aliança e também para tratar da integração de forças dos três países – além do Paraguai e Brasil, faz parte a Argentina – na luta contra o narcotráfico e o crime organizado. Mas Benitez acabou não conseguindo chegar ao compromisso.

No sábado (24), foi a vez do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, visitar a Capital, onde participou da abertura da 27ª edição do Rally dos Sertões.

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