[VIa Correio do Estado]
Relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito da JBS não tem nenhum indiciado.
O documento, com 96 páginas, será apresentado em reunião na tarde de hoje e depois encaminhado para o Ministério Público Estadual (MPE) de Mato Grosso do Sul, Governo do Estado, Controladoria Geral do Estado e até para a CPI em Brasília. As informações são do relator da CPI, deputado estadual Flávio Kayatt (PSDB).
Kayatt informou que no anexo do relatório tem o acordo, mas não tem indiciamento. “Lá em Brasília eles terão muito subsídio para a CPI nacional”, disse se referindo ao documento.
“Vou dar de 20 a 25 páginas para cada deputado ler todo o relatório, com exceção das matérias que merecem sigilo”, completou Kayatt, reforçando que o rumo da CPI foi técnico e não político.
O presidente da CPI, deputado Paulo Corrêa (PR) disse que o relatório da CPI vai fazer "menção de todos os itens investigados". Ainda segundo ele, um pen drive com informações sobre os acordos especificados e os Termos de Ajustes Fiscais (Tare) será entregue para os jornalistas.
HISTÓRICO
A CPI da JBS foi criada na Assembleia baseada em acordo de delação premiada dos donos da empresa, Wesley e Joesley Batista onde os nomes dos ex-governadores André Puccinelli (PMDB), José Orcírio dos Santos (PT) e do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) foram citados.
Paulo Corrêa lembrou que a CPI foi criada para investigar as irregularidades fiscais do Estado. As primeiras atividades da comissão foram as análises dos cinco Termos de Acordo de Regime Especial (Tares) da JBS com o Governo.
Após analisarem os cinco acordos feitos durante a administração dos ex-governadores Puccinelli, José Orcírio e o governador Reinaldo Azambuja, a comissão comprovou irregularidades da empresa. “Em todos os tares a JBS foi réu confesso”, disse Corrêa, anteriormente.
Diante das confissões, a CPI pediu bloqueio dos bens e das contas da empresa. Segundo informações do presidente da comissão, apenas R$ 6,5 milhões em dinheiro foram bloqueados e mais R$ 730 milhões em bens.
Em contrapartida, após os bloqueios, a JBS suspendeu as atividades e os abates nas sete plantas frigoríficas, no Estado. Funcionários ficaram sem trabalhar por, aproximadamente, uma semana, mas continuaram recebendo seus salários.
Mais de quatro mil funcionários da empresa lotaram o plenário da Assembleia Legislativa e em resposta à manifestação, JBS, CPI e Governo do Estado firmaram acordo.