Recursos do FCO para o agronegócio já foram utilizados
[Via Correio do Estado]
Os empresários rurais de Mato Grosso do Sul contrataram até junho deste ano, R$ 835,4 milhões em recursos pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). O valor esgotou o teto de financiamento para a modalidade agronegócio do financiamento, e por isso, o Banco do Brasil suspendeu, temporariamente, o recebimento de cartas consulta. O teto previsto para o ano no Estado, é de R$ 2,26 bilhões.
Nas cotas reservadas ao agronegócio, até o momento foram concluídos 6.861 operações de crédito que somam R$ 551 milhões, enquanto 446 propostas estão em fase de contratação, totalizando R$ 227 milhões. Diante do cenário, a direção nacional do Banco do Brasil considerou ser mais prudente suspender a entrada de novas consultas, até que as propostas em andamento sejam concluídas e o saldo atualizado.
Na avaliação do superintendente regional do Banco do Brasil, Renato Estrada, a informação é positiva para o setor produtivo, mas, antecipa que ainda pode ser revertida apesar de não ser possível definir valores.”Os produtores rurais conquistaram credibilidade na contratação de linhas de crédito e os investimentos cresceram de tal forma que nos últimos três anos, os recursos do FCO rural foram totalmente utilizados. Por isso, nossa diretoria achou melhor ter cautela e não gerar expectativa para quem ainda não conseguiu aprovação do recurso”, detalha.
DELIBERAÇÕES MS
De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, que preside o Conselho Estadual de Investimentos Financiáveis pelo FCO (CEIF/FCO), os estados brasileiros têm autonomia para definir como será partilhado o recurso. Em Mato Grosso do Sul do volume de financiamento disponibilizado via Banco do Brasil, 50% é destinado para setor rural e os 50% restantes para empresas. Há ainda recursos (R$ 24 milhões) para o Financiamento Estudantil (Fies) no Estado, mais R$ 24 milhões para projetos de micro geração de energia solar, e mais R$ 226 milhões para serem emprestados por meios de cooperativas de crédito.
“Temos que aguardar até 30 de setembro para ter certeza que teremos sobra de recursos no empresarial. A partir daí podemos solicitar via conselho, aumento no percentual do segmento rural”, aponta.
Na avaliação de Verruck, há duas hipóteses que precisam ser consideradas e que reverterão em aumento de recurso para o FCO rural. “A primeira situação prevê sobra do recurso destinado às empresas, fato que tem acontecido nos últimos quatro anos. Enquanto isso, temos outra opção que não está certa, mas, que se for liberada pode contribuir também. Trata-se do recurso do FCO que foi destinado para as cooperativas, mas que não foi liberado por questões de ordem técnica”, esclarece.
FCO EMPRESARIAL
Estrada explica que o recurso destinado para o FCO empresarial somou até o momento, R$ 283,5 milhões contratos liberados e R$ 68,1 milhões em fase de contratação. “Neste segmento, a aprovação é mais demorada e ao que tudo indica pode resultar em sobra dos recursos”, avalia.
Apesar da interrupção na linha de crédito do Banco do Brasil para o FCO, o superintendente comercial destaca que existem outras opções, como BNDES e o crédito próprio da instituição, porém, com prazos mais curtos e juros, em alguns casos, mais altos.
