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Prata dispara 200% em um ano, mas não reluz como ouro

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Especialistas explicam que metais cumprem papel diferente, embora sejam frequentemente associados pelo mercado; incertezas geopolíticas alimentam recordes

prata também brilha e vem mostrando que nem sempre está em segundo lugar. O metal disparou 224,98% em um ano — acima dos 75,65% do ouro no mesmo período.

Em 22 de janeiro de 2025, a prata era cotada a US$ 31, um ano depois, em 22 de janeiro de 2026, atingiu US$ 102.

O preço do ouro passou de US$ 2.797 para US$ 4.913 na mesma janela de tempo, segundo levantamento da Elos Ayta.

Os metais preciosos, em especial o ouro, são historicamente usamos por investidores e Bancos Centrais como reserva de valor e proteção patrimonial. Nos últimos meses, a valorização dos metais preciosos não ocorreu por um motivo isolado, mas pela convergência de acontecimentos que reforçaram o papel estratégico dos metais.

De acordo com os especialistas, sempre que há risco de escalada militar ou instabilidade em regiões estratégicas para a economia internacional, os investidores tendem a reduzir exposição a ativos de risco e aumentar posições em ativos vistos como “porto seguro”.

A valorização dos metais está associada as incertezas globais em um ambiente marcado por tensões geopolíticas relevantes, como a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, os conflitos envolvendo o Irã e mais recentemente as tensões acerca da Groenlândia. 

Para Patrícia Palomo, economista na Arau Consultoria, esses eventos funcionam como gatilhos clássicos para a busca por proteção.  

“Eles elevam a demanda por ativos que não dependem do desempenho econômico de um país específico, não carregam risco de crédito soberano e são historicamente percebidos como reserva de valor.” 

Além do componente geopolítico, há também um fator financeiro importante sustentando o movimento de alta, que é a expectativa de juros reais mais baixos no médio prazo.  

“Como o ouro não gera fluxo de caixa, o custo de oportunidade de mantê-lo em carteira diminui quando o mercado passa a precificar cortes. Esse efeito torna o metal relativamente mais atrativo em comparação a títulos de renda fixa”, explica Palomo. 

Segundo a economista, esse movimento também é somado ao comportamento de grandes gestores institucionais, que, diante de incerteza, reduzem exposição a ativos de risco e reforçam posições em ativos de proteção. 

Marco Harbich, CIO da Gordon Capital, disse que a atuação dos bancos centrais de diversos países foi fundamental para a valorização dos metais preciosos.

“Países como China, Índia e diversas economias emergentes ampliaram significativamente suas reservas de ouro, movimento amplamente divulgado por organismos internacionais. Esse comportamento está ligado à tentativa de diversificação das reservas cambiais e à redução da dependência do dólar”, explica.

Não reluz como o ouro  

A prata, embora frequentemente mencionada junto com o ouro, cumpre um papel diferente do metal dourado, de acordo com os especialistas. 

Para Harbich, da Gordon Capital, a prata também pode atuar como ativo de proteção, mas tem uma característica adicional importante: o componente industrial.  

“Uma parcela significativa de sua demanda vem do uso industrial, especialmente em setores como energia solar, semicondutores, eletrônica e tecnologia. Isso faz com que seu preço seja mais volátil do que o do ouro, reagindo não apenas ao cenário financeiro, mas também ao ciclo econômico.”  

A valorização nos preços do metal prateado, de acordo com Harbich, além do componente de proteção, está ligado a eventos da economia real.

“A forte expansão da capacidade instalada de energia solar em países como China, Estados Unidos e Índia elevou de forma relevante a demanda por prata, que é insumo essencial na produção de painéis solares. Ao mesmo tempo, problemas de oferta em algumas regiões produtoras e a dificuldade de abertura de novas
minas limitaram o crescimento da produção, pressionando os preços”, explica.

Segundo Palomo, em cenários de aversão a risco, a prata pode acompanhar o ouro, mas em momentos de desaceleração econômica mais profunda, a forte ligação com a atividade industrial pode gerar maior volatilidade e até desempenho inferior.  

Para a economista, o ouro tende a cumprir melhor a função de amortecedor de risco em cenários extremos. 

“Em resumo, a prata pode complementar a proteção oferecida pelo ouro, mas não o substituir integralmente como reserva de valor”, complementa Harbich. 

Como investir em metais preciosos 

Para o investidor pessoa física, existem algumas formas de investir em metais preciosos. A mais direta (e menos recomendada) é ter os metais na forma física, como barras ou moedas, mas a aquisição envolve custos de custódia e questões de segurança. 

Uma alternativa mais prática são os ativos lastreados em ouro ou prata, negociados na bolsa de valores. 

“Para quem busca simplicidade operacional e liquidez no mercado local, ETFs e BDRs negociados na B3 oferecem exposição ao ouro e à prata com facilidade, incorporando tanto a variação do metal quanto, em muitos casos, o efeito cambial,” recomenda Palomo. 

Para investidores com acesso ao exterior, a economista indica os ETFs internacionais lastreados fisicamente nos metais, que tendem a oferecer custos mais competitivos. 

Harbich alerta que o ponto central desses investimentos é entender o papel dos metais na carteira. 

“Metais preciosos não devem ser vistos como instrumentos de ganho rápido, mas como ferramentas de diversificação e proteção patrimonial, especialmente em cenários de incerteza, inflação persistente ou perda de confiança em moedas.” 

Via CNN Brasil

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