[Via Correio do Estado]
A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (18), em Brasília (DF), um dos líderes de quadrilha especializada investigada desde novembro do ano passado pela Operação Ouro de Ofir e que é suspeita de aplicar golpes milionários na Capital e no País. Estima-se que o grupo tenha feito mais de 25 mil vítimas ao todo.
Segundo a PF, a organização criminosa se valia da falsa redistribuição de comissões das vendas de uma mina de ouro explorada há décadas, para induzir investimentos em dinheiro, oferecendo lucros de até 1.000%. Empresa responsável pelas negociações era a Company Consultoria empresarial Eireli, sediada em Campo Grande.
A organização buscava lucro a partir da falsa existência de uma suposta mina de ouro cujos valores estariam sendo repatriados para o Brasil e cedidos, vendidos ou até mesmo doados a terceiros mediante pagamento. Foram inclusive detectados contratos de doação, mediante pagamento.
Para demonstrar 'legalidade', os investigados redigiam contratos com base em “Escritura Pública Declaratória de Averbação de Direito de Crédito e Recebíveis EB-Protocolo nº 30.774/201 Livro: 694 Folha: 078”, tentando dar um viés de legalidade a um negócio tipicamente fraudulento. Apesar dos autores alegarem que os valores extratosféricos “transferidos” a terceiros, em contrato, serem oriundos de uma mina de ouro, nada disso encontra-se registrado ou respaldado com documentação legal.
Mesmo com a prisão de três comparsas, o homem detido no Distrito Federal continuava a enganar investidores com uma história fantasiosa a respeito de direitos relativos a uma suposta herança de grandes valores oriundos de minas de ouro.
As vítimas, aquelas que continuam confiando nos criminosos, muitas vezes por não terem alternativa, acreditam que existem valores bilionários que serão distribuídos aos ditos 'investidores.' O suspeito preso nesta manhã cumpria papel importante na organização criminosa porque se passava por pessoa influente na política brasiliense, dizendo-se peça fundamental na "liberação" dos valores astronômicos junto aos bancos e Governo Federal, mas na verdade tudo não passa de mais um golpe.
O mandado de prisão preventiva foi expedido pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande, onde a ação principal tramita desde janeiro e também por onde os demais presos respondem criminalmente pelas mesmas acusações.