Esportes

Palmeiras tem herói inusitado por título do Campeonato Brasileiro

[Via Agência Brasil]

De desconhecido a um dos jogadores mais regulares do líder Palmeiras. Em pouco mais de dois anos, a vida do goleiro Jailson, 35, mudou radicalmente no futebol.

Contratado em outubro de 2014 como alternativa para Fernando Prass, machucado, e Fábio e Deola, criticados pela torcida, o camisa 49 teve que superar a desconfiança da comissão técnica para virar titular da equipe.

Ele só ganhou a posição em agosto de 2016, com a conjunção de alguns fatores: Fernando Prass ser convocado para a seleção olímpica e, na sequência, sofrer uma contusão no cotovelo e o até então reserva imediato Vagner falhar em duas partidas.

Desde que assumiu a titularidade, o Palmeiras tem oito vitórias e quatro empates.

"O Jailson está sendo determinante. É uma liderança diferente da que o Prass tem. Não é de falar muito, mas conversa pessoalmente com os jogadores. Tem 35 anos, e passa muita confiança para o elenco", descreve Cuca.

Assim como na sua trajetória no Palmeiras, Jailson teve que ser persistente em sua carreira até chegar à elite do futebol brasileiro.

Aos 17 anos, o goleiro deixou sua cidade natal, São José dos Campos, em São Paulo, e se mudou para a Paraíba, onde iniciou a carreira no Campinense.

Na sequência, vestiu a camisa do Joseense e passou também por Ituano, Americana, Juventude, Guaratinguetá, Oeste e Ceará até chegar ao time alviverde, onde atuou pela primeira vez na Série A do Brasileiro.

"Ele nunca pensou em desistir [da carreira]. Foi uma batalha dura para ele e para a gente. Nossa família pobre não tinha estrutura, dinheiro. Eu dava o passe [de ônibus] para ele ir treinar e voltava a pé do serviço", conta Nacife Marcelino, 80, avó materna de Jailson.

"O esforço que ele fez foi muito bem recompensado. O coração de avó dói porque ele só tinha uma calça de goleiro. Eu tinha que lavar, costurar e colocar atrás da geladeira para secar e ele poder usar no dia seguinte. Me dói muito lembrar disso porque não tínhamos dinheiro para comprar outra", lembra.

Mãe de Jailson, Maria Antônia, 52, conta que o filho foi sempre palmeirense, uma influência do pai. "Quando ele me contou que estava acertando com o Palmeiras achei que era sacanagem. Ele está realizando o sonho da vida dele", diz Maria Antônia, torcedora do Corinthians.

"Quando ele está jogando eu torço para o Palmeiras. Se for contra o Corinthians, torço para o jogo terminar empatado", afirma.

PRESSIONADO

Com Jailson em campo, o Palmeiras enfrenta o Figueirense, neste domingo, às 17h, no estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis. O líder está pressionado com a possibilidade de perder a primeira colocação na tabela do Campeonato Brasileiro.

Desde que o Flamengo se consolidou na vice-liderança, na 22ª rodada, é a quarta vez que o clube paulista tem de fato a ponta do torneio ameaçada.

Na 25ª rodada, o time alviverde conseguiu se manter como líder com umempate diante do próprio Flamengo. Nos dois jogos seguintes, obteve vitórias contra Corinthians e Coritiba para se garantir na ponta.

Já na 28ª rodada, o clube entrou em campo mais tranquilo porque a equipe rubro-negra jogou antes e empatou com o São Paulo.

No duelo contra o Figueirense, Cuca deverá contar com o retorno do zagueiro Mina, que ficou fora do confronto diante do Cruzeiro na quinta-feira (13).

Depois de defender a Colômbia em dois jogos pelas eliminatórias sul-americanas, o jogador viajou até Araraquara, mas foi vetado pelo departamento médico. Ainda precisava se recuperar de uma pancada que recebeu na perna. Ele deve ocupar a vaga que foi de Edu Dracena.

Compartilhe: