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O sino avisa: a cura do câncer chegou para Regivany

[Via Correio do Estado]

Quando a primeira badalada tocou, Regivany descobriu o som da liberdade. Lutando contra o câncer há sete anos, a menina que nasceu no Pantanal comunicou a todos os colegas da Associação dos Amigos das Crianças com Câncer (AACC/MS) que estava pronta para voltar definitivamente para casa.

Regivany foi diagnosticada aos dois anos e quatro meses de idade com leucemia, após aparecer um inchaço na barriga e diversas manchas roxas pelo corpo. Apesar de todo o processo, a perda do cabelo e as longas quimioterapias, Regi nunca parou de sorrir. “Ela é superalegre, sempre foi. Uma vez, logo no início do tratamento, eu estava chorando muito e ela me disse: ‘Ai mãe, para de chorar que tudo isso é para a nossa alegria’. Foi algo que me chocou muito na hora e que depois seguimos durante o tratamento”, conta a mãe, Edenise de Brito Conceição Oliveira.

Regivany e Edenise são de Ladário, município vizinho de Corumbá e distante cerca de 430 km de Campo Grande. As duas moravam em Porto Índio, um local em pleno Pantanal onde há residências militares. “Meu marido é militar e morávamos nesse destacamento do Exército com 13 famílias. Um dia ela passou mal, estava com a barriga inchada e muitas manchas roxas pelo corpo. A Marinha foi buscar e chegamos à cidade, porém, após algumas avaliações, precisamos ir para Campo Grande, porque a suspeita foi de leishmaniose ou leucemia”, explica Edenise.

DESCOBERTA

A mãe ainda lembra do dia exato em que pisou no Hospital Regional de Campo Grande pela primeira vez. “Chegamos no dia 9 de junho de 2012. No dia 10, recebemos o diagnóstico e, no dia 12, foi a primeira sessão de quimioterapia. Não deu nem tempo de respirar. Ficamos nove meses no hospital e na AACC/MS, fazendo o tratamento toda semana. Na época, precisamos ficar aqui,porque a opção do tratamento pelo Exército era apenas em outro estado e não queria ficar longe da família”, ressalta.

Com dois filhos mais velhos, hoje com 18 e 22 anos, Edenise precisou deixar o Pantanal e ver a filha crescer no hospital. “Depois de nove meses, o tratamento entrou na fase de manutenção, repetindo a quimioterapia a cada 21 dias. Nós duas ficávamos duas semanas em Ladário e duas em Campo Grande”, explica. A residência do Pantanal voltou para Ladário, onde a família toda nasceu.

Após o fim da quimioterapia em 2014, Regivany precisou esperar o período de remissão do câncer, que é em torno de cinco anos, para poder declarar que está curada.

Para a menina, que acumula medalhas em karatê e sorrisos por onde passa, a batalha agora está completa. “Estou feliz, porque estou livre de todo o câncer. Não preciso mais tomar soro nem remédio. O que eu senti na hora foi alegria”, diz.

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