Mototaxistas afirmam que até o momento não perderam corridas para as plataformas de motocicletas, somente para as que utilizam carros nos transportes
Aplicativos de mototáxis começaram a rodar nos últimos meses em Campo Grande, mas com baixa procura da população, poucos profissionais se cadastraram para atuar na área e para os mototaxistas, a incerteza sobre a novidade ainda gera dúvidas.
O mototaxista José Geraldo, 54, atua na área há 24 anos e afirmou que não perdeu corridas para os aplicativos, e garantiu não ter medo que isso aconteça no futuro.
“Nosso preço é baixo, não tem como trabalhar a baixo desse preço, tem corrida nossa que custa menos que uma passagem de ônibus”, explicou.
José ressaltou que, na verdade, a categoria foi prejudicada pelos motoristas de aplicativo que usam carros, que fizeram com a demanda pelas corridas diminuíssem e consequentemente, os mototaxistas migrassem para outras profissões, como Delivery.
“Nos últimos anos, caiu quase pela metade os mototaxistas de Campo Grande, só que diminuiu por causa dos aplicativos de carro”.
Já o presidente do Sindicato dos Mototaxistas de Campo Grande, Dorvair Caburé disse que a categoria pode, sim, ser afetada. “Claro que vai afetar, assim como afetou com chegada da Uber”, disse.
A Uber, que aderiu recentemente em sua plataforma a categoria “Moto’, ressaltou que não é possível quantificar os profissionais cadastrados no “Uber Moto”, pois a empresa só tem números nacionais e mundiais.
O presidente da Associação dos Parceiros de Aplicativos de Transporte de Passageiros e Motoristas Autônomos de Mato Grosso do Sul (Aplic), Paulo Pinheiro alegou que a demanda de passageiros ainda não está sendo como era esperado em razão à pandemia da Covid-19 e do clima desfavorável, de frio e chuva.
“Por ser algo novo nos aplicativos de mobilidade urbana, os cadastros dos nossos profissionais anda estão sendo feitos de uma maneira bem devagar”, disse Paulo. “Mas com a vacinação, acreditamos que haverá um aumento considerável do número de cadastros”.
Segurança
O presidente do Sindicato dos Mototaxistas afirmou ainda que sua maior preocupação é em relação ao treinamento dos profissionais para carregar passageiros.
“Isso me preocupa muito, transportar pessoas é muito diferente de levar mercadorias. Esses aplicativos não exigem treinamento para transportar outras pessoas. Aqui em Campo Grande, nós tínhamos uma estatística de menos de 1% dos mototaxistas que se envolviam em acidentes”, disse.
Dovair explicou que, para ser mototaxista na Capital, é necessário realizar um treinamento de 40 horas, além de possuir a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para moto, o que não acontece nos aplicativos.
Já a Uber informou ser obrigatório a habilitação para pilotar motocicletas, e que “os parceiros recebem dicas de direção e orientações sobre segurança viária”.
Contudo, para Dovair isso não é o suficiente. “O transporte é uma coisa que tem que zelar, para que consigamos reduzir o índice de acidentes na nossa cidade. Os aplicativos não oferecem segurança para os trabalhadores, é uma escravidão moderna”.
Via Correio do Estado