[Via Correio do Estado]
Integrantes de movimentos sociais fizeram um manifesto na tarde de hoje, em Campo Grande, em homenagem a Marielle Franco, vereadora do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), morta a tiros na última quarta-feira (14) no Rio de Janeiro. O ato foi realizado na Praça Ary Coelho e contou com a participação de militantes partidários, além de políticos.
Com faixas e cartazes, os manifestantes protestaram contra os assassinatos de mulheres no Brasil, cobraram a garantia dos direitos humanos e chamaram atenção quanto à repressão da participação da mulher na política.
“A morte de Marielle é um recado para todas nós, não querem que as mulheres participem da política. O patriarcado e o machismo não aceitam ver uma mulher avançar”, dizia folheto distribuído aos manifestantes pela Marcha Mundial das Mulheres em Mato Grosso do Sul.
A estudante Anna Beatriz Passos da Silva, 21 anos, que é do Rio de Janeiro, disse que o ato é uma forma de alertar a sociedade para que se manifeste e não permita que outras mulheres sejam vítimas de crimes como a morte da vereadora.
“É uma dor muito grande, descomunal. Estou aqui porque dói saber que foi mais uma e que ela também não será a última. Eu, como mulher e negra, venho para esse ato em apoio a ela, para mostrar que não foi em vão”, defendeu.
Para a jornalista Chloé Pinheiro, a morte da vereadora representa o ponto extremo a que chegou a violação dos direitos. “Eu, geralmente, só participo de movimentos que me tocam. Foi muito triste o que aconteceu. Para mim foi a gota d’água”, comentou.
Para o presidente do PSOL em Campo Grande, Henrique Nascimento, este é o momento para discutir como os militantes dos direitos humanos são calados. “É uma manifestação em solidariedade aos familiares, debate sobre violência contra os militantes de direitos humanos. Pessoas que estão na luta pela defesa de um país melhor e são caladas”, destacou.
O deputado estadual Pedro Kemp (PT) também chamou atenção para a questão. “Nós, defensores dos direitos humanos, somos acusados de sermos defensores de bandidos. Mas nós temos que ter orgulho de defender os direitos humanos, porque todo dia as pessoas tem seus direitos feridos. Quando morre um militante da vida, da dignidade, nos pegamos o seu sangue e enterramos, para que seu sangue continue dando bons frutos”, discursou.