Mesmo insatisfeitos, cirurgiões retomam atendimentos
[Via Correio do Estado]
Mesmo insatisfeitos, os 21 cirurgiões da Santa Casa que haviam sido demitidos retomaram as atividades na noite do último sábado (4), após mais uma reunião da instituição com os profissionais, a fim de entrarem em acordo no que diz respeito a pagamento de cirurgias, os médicos decidiram dar continuidade aos atendimentos e nova reunião está marcada para a próxima terça-feira (7).
No começo da tarde da última sexta-feira (4), os 21 médicos do serviço de cirurgia geral da unidade foram desligados após reunião que acabou sem acordo entre o hospital e os profissionais. Porém, no fim do mesmo dia, outra reunião foi feita e os 21 médicos retomaram os atendimentos com a promessa de que as negociações continuarão.
Através de uma carta de esclarecimento, atribuída à equipe de Cirurgia Geral, os médicos informam que, no dia 2 de abril, foi documentada a intenção de encerramento das atividades caso os salários atrasados não fossem regularizados e o vínculo empregatício não fosse reconhecido.
No dia 13 do mesmo mês, o Correio do Estado noticiou que, em ofício encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE), o cirurgião geral e chefe do setor, Heitor Soares de Souza, junto de outros [na época] 16 médicos da área, informou sobre o encerramento da atuação dos profissionais a partir de 3 de maio.
“Em 30 dias, as atividades do serviço de cirurgia geral, bem como sua participação junto à residência médica da especialidade, serão encerradas”, anunciaram os médicos.
No mesmo ofício, os profissionais afirmam que a medida é por conta dos constantes atrasos nos pagamentos de honorários e serviços prestados, além da falta de regulamentação contratual dos especialistas e aumento constante da carga de trabalho.
NEGOCIAÇÕES
Ainda na carta, os cirurgiões afirmam que a instituição “deixou claro” que a contratação em regime das Consolidações das Leis do Trabalho (CLT) era inviável e inegociável. Então, ficou acordado que a Santa Casa iria dispor um contrato de prestação de serviços como pessoa física, após discussão dos termos desse documento entre os cirurgiões e a unidade hospitalar.
Porém, a devolutiva do hospital não foi condizente com os termos desejados pelos profissionais, que decidiram dar um prazo de 15 dias com o objetivo de se chegar a um acordo final e não prejudicar o atendimento à população. Entretanto, a instituição decidiu por não prosseguir com a negociação, desligando os médicos das atividades.
Como consequência das demissões, conforme apurado pelo Correio do Estado, somente um cirurgião geral está atendendo na Santa Casa, o que fez com que uma gestante com apendicite aguda fosse encaminhada para cirurgia em outra unidade hospitalar porque não seria possível realizar o procedimento no local.
