Economia

Inadimplência é recorde no ano em Campo Grande

[Via Correio do Estado]

Incerteza com o cenário político e medo do desemprego por parte das famílias levou Campo Grande a fechar o mês de julho com índices de endividamento e inadimplência em alta. De acordo com os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o número de famílias com contas em atraso passou de 100.771, em junho, para 103.983 no mês passado (+3,1%), alcançando o maior contingente mensal do ano. Apesar da disparada, o número ficou 4,2% inferior ao registrado em julho de 2017, quando 108.575 famílias estavam inadimplentes na Capital.

O índice de famílias endividadas também subiu de junho para julho em Campo Grande, alcançando o maior porcentual em 2018 (56,9%). Em números absolutos, o salto foi de 6,3%, saindo de 163.783 para 174.217 famílias que têm compromissos como cheque pré-datado, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimo pessoal, prestações de carro e seguros.

Entre as dívidas, o cartão de crédito (60,9%) continua sendo o vilão do endividamento, seguido pelos carnês (26,9%) e financiamento da casa (12,8%), conforme a Peic.

Para o presidente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio-MS, Edison Araújo, embora não necessariamente o endividamento implique a inadimplência, os indicadores do mês de julho trouxeram algumas preocupações, pois, com o aumento do endividamento, veio também o crescimento das contas em atraso e da inadimplência. “Por isso, indica-se para este semestre cautela e maior planejamento orçamentário”, avalia.

INSTABILIDADE

De acordo com a economista do IPF/MS, Daniela Dias, os resultados da pesquisa de julho refletem o comportamento do consumidor, diante de uma expectativa quanto ao cenário eleitoral e também ao próprio emprego.

“A taxa de desemprego ainda é muito alta. Quando analisa-se a taxa histórica e a diferença entre admissões e demissões, há uma alternância entre bons e maus resultados, mas, na média, essa taxa de desemprego ainda é muito alta, principalmente no que se refere às taxas do comércio; em consequência, isso se reflete na renda do consumidor e na sua capacidade de pagamento. Portanto, há uma maior inadimplência e um maior número de contas em atraso”, explicou.

A economista esclarece ainda que, quando há aumento do índice de endividamento, há o entendimento de que se tem capacidade de crédito. No entanto, em julho, esse aumento veio acompanhado do crescimento da inadimplência e da incapacidade de pagar as contas.

“Isso aponta para um cenário um pouco mais vulnerável e fragilizado e, consequentemente, alguns indicadores sofrem efeitos, mostrando esse cenário mais incerto”, pontuou.

É o caso do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), que teve queda em julho. O porcentual ficou em 112 pontos, 8% inferior ao do mês anterior e 5,7% abaixo daquele registrado no mesmo período de 2017.

“Isso acaba impactando no poder de contratação. Já existem empresários cogitando a redução da contratação de temporários para o fim deste ano, mas são expectativas que vão depender dos próximos meses, do cenário das eleições e do comportamento da economia”, comentou.

PLANEJAMENTO

Como forma de navegar em meio às incertezas, a dica para o consumidor é fazer o seu planejamento orçamentário e, se estiver endividado, buscar a renegociação da dívida. “Coloque na ponta do lápis, confira as parcelas, compare taxas de juros. Durante o ano, têm sido promovidas diversas ações de recuperação do crédito e renegociação de dívidas, inclusive realizadas pelo Procon, que pode ser o caminho”, aconselhou a economista.

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