[Via Correio do Estado]
Bairro no extremo da região norte de Campo Grande, formado por população humilde e problemas sociais explícitos, o Jardim Anache espera pelo cumprimento de uma promessa de cinco anos para ver, ao menos parte de suas reinvindicações atendidas: a inauguração do centro de educação infantil.
O elefante branco surgiu há cinco anos, ainda na gestão Alcides Bernal (PP). No local onde antes havia o principal campo de futebol de várzea de toda a região do Nova Lima, além de um importante espaço de convivência infanto-juvenil, com área verde e de incentivo à prática esportiva, hoje resta uma construção abandonada, com muros pichados, mato muito alto, lixo e odores pouco agradáveis.
Sacrificar o tradicional campo de futebol do bairro em prol de uma creche era uma oferta justa para a população local. O problema é que o tempo passou. E com ele vieram os inevitáveis reflexos de uma obra abandonada.
Hoje, o que era para ser a escola de educação infantil do Anache se tornou reduto de usuários de drogas, criminosos, pessoas que usam o local ao invés das crianças para muito menos nobres que a alfabetização: promovem o consumo desenfreado, principalmente de pasta-base, dividem os bens tomados de casas das redondezas invadidas.
O cenário é lamentável. O Correio do Estado encontrou ausência total de janelas e até de azulejos, provavelmente levados pelos viciados. Há poças de urina secas, fezes, restos de comida e lixo diverso, de garrafas até camisinhas.
"Dói o coração ver um lugar que já foi importante para nós, moradores, desse jeito", disse o comerciante Antônio Gonçalves, 56 anos.
Há 40 deles no bairro, lembra com entusiasmo dos tempos que o campo de futebol era ponto de referência, local de encontro e centro das brincadeiras do bairro, com muita segurança.
"Degradou tudo no entorno. Isso aqui virou a cracolândia do Nova Lima, sem horário para que eles se escondam e usem tudo oq ue têm direito. Agora temos de esconder as coisas do quintal, senão pegam mesmo", apontou.
A reportagem topou sua sugestão de circular pelas ruas de terra no entorno e não demorou para encontrar tipos suspeitos, com roupas sujas, que aguardavam apenas nossa saída para voltarem ao 'palácio do crack', como ficou chamam pejorativamente os vizinhos.
Camninhando com dificuldade, a aposentada Vera Lúcio Brito, 60, há 16 anos no bairro, vinha do posto de saúde, diagnosticada com dengue há cerca de uma semana, disse que antes da construção abandonada jamais contraiu esse tipo de doença.
"É muita sujeira, não pode deixar essa sujeira toda acumulada, esse mato alto. Nossas casas direto recebem a visita de ratos. Se duvidar tem até cobra por aí", disse. "Fora que precisamos desse espaço para termois onde levar nossas crianças."
Por meio de nota, a Prefeitura, de responsabilidade de Marcos Trad (PSD), disse "que abrirá nova licitação para concluir a obra", após "a empreiteira anterior pedir rescisão do contrato" que tinha com o Executivo municipal. Questionados, não informaram sobre prazos.
Em nota publicada no dia 4 de janeiro, em seu site oficial, a Prefeitura informou que a previsão era de enfim entregar o Ceinf do Anache neste ano.
Dos Ceinfs previstos pelo PPA 2018-2021, 17 têm obras já iniciadas. São eles: Serraville, Moreninha I, Oliveira III, Jardim Colorado, Vespasiano Martins, Jardim Nashiville, Jardim Centenário, Jardim Inápolis, Jardim Anache, Nascente do Segredo, Vila Nasser, Jardim Talismã, Jardim Radialista, São Conrado, Zé Pereira, Noroeste e Vila Popular. Muitos desses, contudo, estão na mesma situação do Anache.