[Via Correio do Estado]
O Fórum dos Servidores Públicos do Estado protocolou um ofício nesta manhã (19), na governadoria, pedindo uma reunião com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) para começar a debater o reajuste salarial deste ano. Insatisfeitos com a falta de diálogo e alegando 23% de defasagem salarial nos últimos três anos, representantes das categorias já prometem indicativo de greve caso não haja algum retorno “amigável” e positivo.
Com a data-base dos servidores vencendo em maio, os representantes dos funcionários públicos do Estado alegam que as negociações precisam ser antecipadas. “O governo tem dois prazos curtos nesse ano. Tem até 2 de abril para a lei, caso vá cumprir algum reasjuste, por conta da lei eleitoral que não autoriza passar dessa data. Se for apenas cumprir a inflação anual, como tem feito nos últimos anos, pode ser até meados de junho, por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal. A política do governo tem sido 'toma isso e chora'. Não negociam, não se reunem conosco. Estamos prontos para o embate”, explicou Bruno Alves, secretário-geral do Sindicato dos Servidores do Detran do Estado (Sindetran).
O histórico de não negociar e negar reajustes acima da inflação há três anos deixa os servidores desacreditados. “O governo tem 19 dias para sinalizar algo. Até agora atendeu poucas entidades. A maioria não foi ouvida. Em 2016 deram apenas o abono de R$ 200, em 2017 foram aqueles 2,94% e somente em outubro. A visão não é positiva diante do histórico”, comentou Giancarlo Miranda, presidente do Sindicato do Policiais Civis do Estado (Sinpol).
Conforme o coordenador do Fórum, Fabiano Reis, ainda não se sabe qual será o reajuste solicitado pelos servidores. “Estamos fazendo um estudo com o Dieese para calcular o reajuste desse ano”, afirmou.
GREVE
A possibilidade de manifestações e até greve geral é unânime entre os representantes de diversas categorias. “Caso não tenhamos uma composição amigável e positiva, semana que vem já prevemos uma mobilização, expondo à população a realidade do servidor público”, disse Thiago Monaco, presidente da Associação dos Subtenentes, Sargentos e Oficiais Oriundos do Quadro de Sargentos Policiais e Bombeiros Militares de Mato Grosso do Sul (ABSS/MS).
“Há 15 dias protocolamos um pedido de detalhamento da folha salarial e não houve nem mesmo uma resposta. Estão chamando poucos sindicados e de forma isolada, dizendo que estão negociando, mas não chamam o Fórum. Se não tivermos resposta dessa reunião que pedimos hoje, vamos definir assembleias e já apresentar indicativo de greve. Os servidores estão com 23% de defasagem salarial. Esse ano é um ano decisivo para atender as demandas dos servidores”, comentou André Santiago, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado (Sinsap).
“O governador não tem coragem de receber o Fórum, só manda o secretário de administração. A gente não confia mais, depois de três anos sem nos ouvir e sem cumprir a palavra. Diz que não tem dinheiro, mas investe no Aquário, pega nossa previdência”, completou Cláudio Souza, secretário do Fórum.