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Saúde

Exposição a área de queimada equivale a 18 cigarros acesos

Redação

[Via Correio do Estado]

Com a temporada de queimadas em todo o País, a qualidade do ar é motivo de preocupação. Mesmo após as chamas serem apagadas, podem ser encontradas 400 microgramas por metro cúbico (µm) de Partículas Inaláveis Finas (PM2,5). Isso seria como ser exposto a 18 cigarros acesos.

Esses dados foram coletados no dia 18 de agosto, durante uma medição numa área de queimada, na região norte de Campo Grande. O estudo foi feito pelo professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Widinei Alves Fernandes. Neste mês, a instituição começou a acompanhar a qualidade do ar na cidade.

“Essas partículas têm 2,5 micrômetros por metros cúbicos, ou seja, [são] muito mais finas que o diâmetro de um fio de cabelo humano, que é de cerca de 40 micrômetros por metros cúbicos. A inalação dessas partículas é prejudicial à saúde. Elas provocam doenças respiratórias e parecem afetar também o desenvolvimento do cérebro”, explicou o professor.

A partir de agora, Campo Grande passa a integrar uma pequena lista de cidades brasileiras que medem a qualidade do ar. A UFMS montará a primeira unidade permanente no campus da Capital, no monumento conhecido como Paliteiro.
Esses dados integrarão a pesquisa de uma acadêmica da instituição em um trabalho de conclusão de curso (TCC).

PROJETO

A parceria foi viabilizada pelo vice-presidente da Comissão Permanente de Meio Ambiente da Câmara Municipal, vereador Eduardo Romero (Rede). Após uma visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram adquiridos os equipamentos por meio de emenda no orçamento, os quais vão ajudar a prefeitura a formular políticas públicas de meio ambiente específicas para combater a poluição do ar.

Somente após um grande volume de dados ser coletado, para se ter parâmetro de comparação, é que se poderão começar a discutir as próximas ações. “Com esses dados, podemos formular políticas públicas de saúde, mobilidade e meio ambiente”, destacou o parlamentar.

As medições em equipamentos móveis podem complementar o que virá a ser feito. “No caso de poluição originada da fumaça de veículos, por exemplo, direcionamos políticas públicas pensando em alternativas para superar o problema”, explicou Romero.

No futuro, a ideia é de que haja um painel na cidade que informe em tempo real a qualidade do ar, com o funcionamento de diversas unidades de monitoramento espalhadas por Campo Grande.

CONTROLADAS

Após semanas de combate às chamas, as queimadas diminuíram em Mato Grosso do Sul. O Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), ligado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), controlou os focos.

No domingo (25), o Estado tinha 261 focos de incêndio. Na quinta-feira (29), foram confirmados 72. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Mato Grosso do Sul tem 91 brigadistas, segundo o superintendente do Ibama no Estado, Luiz Carlos Marquetti. A maior brigada é de Corumbá, com 30 pessoas. Em Aquidauana, as aldeias Limão Verde e Alves de Barros e a Terra Indígena Taunay-Ipegue têm, cada uma, equipe de 15 homens.

De janeiro até o dia 29 deste mês, foram registrados 4.601 focos, segundo o Inpe. Apesar do número alto, não é o pior período. “Os anos de 1999, 2002, 2004 e 2012 foram períodos piores que o atual. A quantidade de focos está em uma curva descendente”, explicou  o coordenador do Prevfogo no Estado, Márcio Yule.

Em seu livro “Vida Urbana e Saúde”, o médico patologista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Saldiva, explica que a poluição do ar se materializa em partículas e gases. As partículas são um misto de fuligem, composta de metais como chumbo e cobre, e outros compostos orgânicos; e os gases são produzidos pelos veículos que circulam no trânsito da cidade. Ao serem lançados na atmosfera, esses dois podem se misturar e serem expostos à radiação ultravioleta do sol, passando por alterações em sua composição química. É daí que são geradas as partículas finas. Na rotina diária de locomoção para casa, escola, universidade ou trabalho, as pessoas ficam de duas a três vezes mais expostas à poluição, conforme escreveu Saldiva.

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