A nova onda leva em consideração um novo aumento considerável de óbitos
Um levantamento realizada pelo Grupo de Pesquisa Interdisciplinar Ação Covid-19, indica que o País pode registrar novamente uma nova onda da Covid-19 no País entre abril e setembro do ano que vem. A nova onda leva em consideração um novo aumento considerável de óbitos.
No estudo, intitulado Possíveis cenários da pandemia no Brasil sob diferentes durações de proteção vacinal, leva em conta a taxa média de proteção das vacinas aplicadas no país contra casos sintomáticos da doença — CoronaVac (50%), Janssen (66%), AstraZeneca (76%) e Pfizer (95%) — e uma eventual queda do nível dos anticorpos conferidos por elas em dois cenários: após 12 e 18 meses. A campanha de imunização começou no Brasil em 17 de janeiro, com profissionais de saúde, seguidos de idosos.
Os pesquisadores incluíram variáveis que podem fazer com que um novo surto impacte mais uma região do que outra. Para isto, criaram o IPC (Índice de Proteção Covid-19), que sumariza e diferencia a desigualdade social em diferentes localidades.
Outros parâmetros incluem a taxa de vacinação de cada estado ou cidade, nível de isolamento social e densidade demográfica, por exemplo.
O grupo concluiu que, sem uma revacinação no começo ano que vem, existe risco de um novo surto de covid-19 no país entre abril e setembro, a depender da duração da imunidade conferida pelas vacinas.
“Já se observa no país a diminuição das medidas de prevenção, com retorno às atividades comerciais e às aulas presenciais, aglomerações em espaços de lazer, realização de festivais de música e eventos esportivos, o que amplia continuamente o risco de transmissão e surgimento de novas variantes, principalmente em cidades com baixo IPC, alta densidade e polos turísticos como o exemplo hipotético da cidade de Olinda-PE”, alerta o estudo.
Em Mato Grosso do Sul no período de uma semana 49 municípios não registram mortes devido a Covid-19. A queda dos números de casos e óbitos começou a partir do mês de julho e está menor em agosto. Os especialistas apontam o aumento da vacinação como principal fator deste cenário.
O levantamento foi feito de 10 a 17 de agosto, seguindo os dados dos boletins divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). Isto significa que 62% das cidades do Estado não tiveram mortes em função da doença nos últimos sete dias.
A epidemiologista Gerusa Figueiredo, uma das autores do estudo e professora do IMT-USP (Instituto de Medicina Tropical de São Paulo), explica que nenhuma vacina confere 100% de proteção contra a covid-19. Só por este motivo uma parte dos imunizados já está suscetível à infecção em um primeiro momento.
Mas com o passar dos meses, seja após a doença ou a vacinação, há um aumento real do risco de infecção ou reinfecção.
“Parece que as pessoas imunizadas têm uma infecção mais branda, com uma carga viral menor — tem as exceções, como os idosos — e a transmissão dessa maneira também fica menor. A médio prazo e longo prazo é como se isso [incidência] fosse se esmaecendo. Pode ser que algum dia aqui no Brasil não tenha mais a epidemia, mas neste cenário próximo, entre um ano e 18 meses, a gente pode sim ter essas taxas de pessoas infectadas e mortes”, acrescenta a pesquisadora, que também é médica infectologista.
O grupo é categórico ao dizer que a epidemia não vai acabar no Brasil por enquanto. “Não é hora de decretar o fim da pandemia. É hora de retomar as atividades com o máximo de cuidado possível, monitorando a curva epidêmica”, afirma em comunicado a bióloga Beatriz Carniel, também autora do estudo.
A grande preocupação dos especialistas é que governos estaduais e municipais começam a afrouxar medidas de restrição com um patamar ainda baixo de pessoas completamente vacinadas: menos de 25% dos brasileiros ou um terço dos adultos até esta terça-feira (17).
Via A Crítica