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“Estava no auge da vida”, lembra mãe de musicista em audiência

[Via Correio do Estado]

“Ela estava muito tranquila e feliz. Estava no auge da vida dela”. Foi assim que Ilda Cardoso, mãe da musicista Mayara Amaral, descreveu a filha em depoimento durante audiência na tarde desta segunda-feira. Quase um ano após o crime que acabou com a vida de Mayara, nove testemunhas foram intimadas a serem ouvidas, na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

A acusação pede que Luís Alberto Barbosa Bastos responda por homicídio qualificado, por motivo fútil, com emprego de tortura, recurso que dificulta a defesa da vítima e feminicídio.

Conforme Ilda, Mayara foi morta dias antes de dar início ao processo para entrar no doutorado. Ela havia contato que estava saindo com alguém de nome Luís, mas que não queria nada sério, porque iria para São Paulo.

Mayara havia voltado para Campo Grande há três meses. Antes ela ficou morando por quatro anos em Goiânia, onde fez o mestrado. Em Campo Grande, ela estava dando aulas de artes, na escola municipal Professor Arlindo Lima.

Dias antes do assassinato uma amiga tinha alertado Mayara sobre o caráter de Luís. Ela relatou isso a mãe. Diante da situação, a vítima à Luís propondo que dessem um tempo na relação.

Na noite do crime, eles se encontraram para uma despedida. Conforme a mãe, a proposta do encontro foi feita pelo Luis, que tinha planos de ir para o Rio Grande do Sul. “Neste dia, ela entrou para dirigir um carro para a morte”.

Antes de prestar o depoimento, do lado de fora, a mãe falou sobre a demora para o agendamento da primeira audiência. Segundo ela, o carta publicada pela irmã nas redes sociais gerou uma discussão sobre a tipificação do crime. Apesar da demora, ela considera que o debate sobre a possibilidade do crime se tratar de feminicídio foi positiva. “Achei que foi boa, mas ainda está longe de haver mudanças”.

AMIGA

Elisângela Paulino Loureiro foi outra testemunha a falar na audiência de hoje. A amiga teria aconselhado Mayara a terminar o relacionamento.

“Eu falava para Mayara que ela tinha uma carência afetiva e ele utilizava isso para fazer ela fazer o que ele queria”, disse a amiga que com base nos relatos de Mayara, concluiu que ela estava vivendo um relacionamento abusivo.

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