[Via Correio do Estado]
Os números contábeis das principais empreiteiras do país mostraram queda acentuada na receita, em razão da paralisação de projetos de infraestrutura, da crise no mercado de construção civil e dos efeitos da operação Lava Jato.
A redução da receita da construtora do grupo Camargo Correa chegou a 38% em 2016 (R$ 1,867 bilhão). A empresa Andrade Gutierrez divulgou uma receita de R$ 2,051 bilhões; 30,8% menor que em 2015. A Engevix Engenharia sofreu a maior redução percentual no ano passado: -62%.
A Odebrecht não publicou o balanço financeiro no prazo legal. A lei determina que as empresas de capital fechado que compõem sociedades anônimas (SAs) de grande porte têm quatro meses após o fim do ano fiscal para divulgar seus balanços anuais. Ou seja, até o fim de abril.
Sem poder participar de licitações da Petrobras desde 2014, estas empresas perderam contratos de grandes obras e foram obrigadas a paralisar projetos, em meio a dificuldades em obter crédito, após serem citadas por envolvimento nas irregularidades da Lava Jato.
Em 2016, o PIB da construção civil recuou 5,2% sobre o ano anterior, agravando o desempenho já ruim da economia brasileira, que encolheu 3,6% no período, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A atividade das construtoras formais no país recuou 18,2% em 2016, segundo índice medido pelo Sinduscon-SP.
O setor de construção perdeu mais de 1,08 milhão de vagas de trabalho em 27 meses até dezembro de 2016, segundo dados da entidade. O estoque de empregos caiu de 3,57 milhões em outubro de 2014, para 2,48 milhões no fim do ano passado.