Este é um declínio considerável, após os efeitos da pandemia de Covid-19 e a subsequente recuperação do mercado de viagens internacionais
Após três anos seguidos de alta na emissão de passaportes, o Brasil registrou pela primeira vez uma queda em 2024. De acordo com dados da Polícia Federal, entre janeiro e dezembro do ano passado, foram emitidos 2,08 milhões de passaportes, o que representa uma redução de 14% em comparação aos 2,42 milhões de documentos emitidos em 2023. Este é um declínio considerável, após os efeitos da pandemia de Covid-19 e a subsequente recuperação do mercado de viagens internacionais.
Durante o pico da pandemia, a emissão de passaportes despencou para apenas 1 milhão, enquanto 2019 teve o recorde histórico com 2,98 milhões de documentos emitidos. A queda em 2024 coincide com o aumento significativo da cotação do dólar, que fechou o ano passado com uma alta de 27%, superando a barreira dos R$ 6. O encarecimento da moeda americana pode ter contribuído para a diminuição no número de pessoas que buscam emitir o passaporte, mas os dados econômicos apontam para um cenário de crescimento nas viagens internacionais e aumento dos gastos dos brasileiros no exterior.
Em 2024, os gastos de brasileiros fora do país somaram US$ 14,82 bilhões, um pequeno aumento em relação ao ano anterior, quando totalizaram US$ 14,53 bilhões, conforme dados do Banco Central. Esse crescimento reflete uma tendência oposta à queda na emissão de passaportes, o que sugere que, apesar da alta do dólar, os brasileiros continuam viajando.
Ana Carolina Medeiros, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), aponta que a diminuição na emissão de passaportes pode ser atribuída à validade de dez anos do documento, e não a fatores econômicos. “Nos anos anteriores, houve o efeito de demanda reprimida. O passaporte brasileiro tem vigência de dez anos, e o que percebemos em 2023 foi a emissão de passaportes que não ocorreram em 2020, 2021 e 2022, devido à pandemia”, explica. Para ela, a queda no número de documentos emitidos não reflete uma tendência duradoura, e o setor de turismo segue em expansão, com crescimento nos segmentos de transporte aéreo, terrestre, e hotelaria.
O setor de turismo brasileiro continua em ascensão, com dados do IBGE mostrando um crescimento de 2,8% em dezembro de 2024 e 3,5% ao longo do ano. Além disso, as atividades turísticas estão 14,6% acima dos níveis de fevereiro de 2020, antes da pandemia, e renovam os recordes históricos do segmento. Ana Carolina destaca que, apesar do dólar caro, o Brasil segue atraente para turistas estrangeiros, e os brasileiros continuam a buscar novas oportunidades de viagem. “O dólar está realmente caro, mas, por outro lado, torna o país mais atrativo em termos de turismo”, afirma.
Para 2025, as perspectivas continuam positivas. O Brasil se prepara para sediar grandes eventos, como a COP30, em novembro, no Pará, e já foi anfitrião de uma feira de turismo na Espanha. A eleição dos Lençóis Maranhenses como grande patrimônio natural também contribui para colocar o Brasil na rota principal do turismo internacional.
Além disso, os dados do Ministério do Turismo revelam que o Brasil recebeu 1,48 milhão de turistas internacionais em janeiro de 2025, um crescimento de 55,07% em relação ao mesmo período de 2024. A Argentina se destaca como o principal emissor de turistas, com 870.318 visitantes. O cenário aponta para um ano de recuperação e crescimento no setor, que continua se adaptando aos desafios econômicos, mas com boas perspectivas de futuro.
Via Enfoque MS