Em oito meses de revitalização da antiga rodoviária, apenas 6% foram concluídos
Projeto tinha previsão de entrega de 12 meses, mas já foi prorrogado para agosto, em comemoração do aniversário da Capital
Iniciada em julho do ano passado, a revitalização do Complexo Empresarial Terminal do Oeste Heitor Eduardo Laburu, conhecido como antiga rodoviária de Campo Grande, avançou apenas 6% em oito meses de obras.
Apesar de moradores e comerciantes da região afirmarem que as obras estão paradas, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) informou que a reforma está em andamento.
Por meio de nota, a Sisep disse que “já foram executadas parte da cobertura, demolições e nivelamento de terreno. A próxima etapa será a execução da fundação”.
Rosane Nely Lima, presidente da Associação de Moradores do Bairro Amambaí, comenta que são inúmeros os problemas no local causados pelo abandono do poder público.
Além de problemas sociais, em razão de uma grande concentração de dependentes químicos na região, a segurança e os imóveis abandonados também são fatores citados pela moradora.
“Em menos de um ano, tivemos cinco mortes aqui na região, de briga de usuários e um estudante que foi morto por causa de um celular. Os imóveis são abandonados porque a região está desvalorizada e ninguém quer investir aqui, com isso, os dependentes químicos invadem e destroem tudo”, relatou Rosane.
A moradora informou que os moradores e os comerciantes do bairro fizeram um abaixo-assinado para chamar a atenção do poder público e cobrar da prefeitura providências sobre a situação da região.
“A região precisa de atenção urgente da segurança pública, da saúde e da assistência social, em razão das condições preocupantes de pessoas em situação de rua e dependentes químicos que ocupam o prédio [da antiga rodoviária] e a região”, disse Rosane, justificando o abaixo-assinado, que tem 141 assinaturas.
Segundo Rosane Nely Lima, a região está abandonada há mais de 10 anos, desde quando o terminal rodoviário foi mudado de local. A moradora comenta que não vê ninguém trabalhando na obra e que a vereadora Luiza Ribeiro (PT) chegou a fazer um requerimento pedindo explicações.
A reportagem tentou contato com a NXS Engenharia Eireli, empreiteira responsável pela obra, mas não foi atendido.
O PROJETO
No dia 1º de julho do ano passado, a prefeita Adriane Lopes (Patriota) assinou a ordem de serviço para o início das obras.
A revitalização está sendo feita nas dependências que pertencem ao setor público, não incluindo os espaços e salas privadas, e inclui a construção de um prédio de dois pavimentos de 1.070 metros quadrados para a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a Fundação Social do Trabalho de Campo Grande (Funsat).
O projeto prevê também que o espaço será adaptado para ser um corredor de acesso à galeria e ao edifício público, transformado em um grande calçadão com jardins contemplativos.
De acordo com a prefeitura, a proposta arquitetônica propõe a reabertura das duas claraboias do projeto original, que foram fechadas ao longo dos últimos anos, prejudicando a iluminação e a ventilação do prédio.
O antigo ponto de ônibus será transformado em área de estacionamento no horário comercial, o piso será nivelado para se tornar um grande platô, e espaço multiúso para eventos.
Uma outra solução urbanística serão as calçadas alargadas, faixas de pedestres elevadas e uma fachada moderna.
Os jardins verticais previstos, além de serem um componente estético da fachada, vão melhorar o isolamento térmico. Essa iniciativa visa reduzir gastos com energia, já que menos refrigeração será necessária no local.
De acordo com a prefeita, o prédio, que está inutilizado desde 2009, seria entregue reformado neste ano, antes do aniversário de Campo Grande.
Porém, em dezembro do ano passado, com o ritmo lento das obras, o antigo titular da Sisep Rudi Fioresi reconheceu o atraso e afirmou que a revitalização continuava no cronograma inicial.
Na época, Fioresi comentou que o atraso teria ocorrido em razão da necessidade de revisão de detalhes do projeto, mas não esclareceu quais, apenas disse que concerniam à estrutura e à cobertura do local.
A Sisep não respondeu se o prazo das obras continua o mesmo.
FINANCIAMENTO
Segundo o portal +Obras da prefeitura, a revitalização da antiga rodoviária deve custar R$ 16.598.808,77. No entanto, em oito meses, já foram gastos R$ 924.759,78, com um avanço de apenas 6% do total.
Do valor total para a realização da reforma, o Ministério do Desenvolvimento Regional será responsável por repassar R$ 15,3 milhões, por meio de emenda da bancada federal. Já a prefeitura dará a contrapartida de R$ 1,2 milhão.
Saiba: A petição criada por moradores e comerciantes do Bairro Amambaí pode ser encontrada no site secure.avaaz.org, intitulada “Abaixo-assinado contra a violência na região da antiga rodoviária”.
Via Correio do Estado MS
