A construção da última rotatória do projeto na Capital, interligando as saídas de Rochedo e Cuiabá, está sob responsabilidade do DNIT
Após uma série de impasses que já dura 18 anos, as obras de ligação das saídas de Rochedo e Cuiabá, última etapa do Anel Viário de Campo Grande, seguem sem data definida para conclusão.
Os trabalhos de infraestrutura começaram ainda em 2004, no fim da segunda administração do ex-prefeito da Capital André Puccinelli.
De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, as obras da terceira e última rotatória que falta para a conclusão do trecho foram iniciadas no começo deste ano.
“Agora, está a cargo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes [Dnit]. Ele já começou a execução, e o que cabia à Prefeitura de Campo Grande já foi entregue. Não deve ser uma obra tão demorada, deve durar uns seis meses”, informou Fiorese ao Correio do Estado.
O acesso está sendo implantado no km 495+340 da rodovia, administrada pela concessionária CCR MSVia.
Segundo informações do portal Mais Obras, que reúne dados de todas as intervenções em execução na cidade, a obra do Anel Viário ficou inoperante por um total de 32 meses.
Desde o início dos trabalhos, a cidade já teve três prefeitos diferentes. Depois de vários aditivos, a conclusão está pautada em R$ 30.875.027,81.
Desse montante, segundo informações da Prefeitura de Campo Grande, já foram efetivamente gastos R$ 28.179.633,63, o que corresponde a 91% do que foi pactuado.
A vantagem de um anel viário é fazer com que os veículos, especialmente os pesados, como carretas e caminhões, contornem a cidade sem passar por dentro dela.
O trecho existente conecta a BR-262 (em Indubrasil), passando pelo Núcleo Industrial, a BR-060 (ligação com Sidrolândia, Maracaju, Dourados e Ponta Porã), outra ponta da BR-163, já na saída para São Paulo, e a saída para Cuiabá no sentido leste-oeste, desaguando na rotatória em frente ao Shopping Bosque dos Ipês.
LINHA DO TEMPO
Conforme levantamento realizado pelo Correio do Estado, por meio do portal Mais Obras, os trabalhos da última etapa do Anel Viário só foram iniciados com máquinas em 4 de abril de 2011, durante a gestão do então prefeito de Campo Grande e atual senador Nelson Trad (PSD).
Um ano depois, houve a primeira paralisação, em razão de negociações de desapropriações necessárias para que a estrada cortasse 46 propriedades rurais.
O município conseguiu fazer acordos com 29 proprietários. Os casos restantes acabaram parando nas mãos da Justiça, que baixou 15 liminares a favor da cidade. Os últimos dois acordos só foram fechados em 2017.
O longo período de negociações atrasou a entrega definitiva, que deveria ter ocorrido em julho de 2014. Além disso, o Dnit, ao fiscalizar a execução da pavimentação, pediu à empreiteira que refizesse um dos trechos, causando ainda mais demora no andamento do projeto.
Logo em seguida, mais um impasse, desta vez, sobre quem concluiria a obra.
Os entraves surgiram porque a Prefeitura de Campo Grande, que tocou boa parte da obra, pediu para que o governo federal decidisse se ela poderia fazer a rotatória, ou o Dnit, já que a intervenção seria realizada na BR-163, ou a CCR MSVia, que detém a concessão da rodovia.
A posição só foi dada em maio de 2021, quando a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a implantação de acesso ao Anel Viário da BR-163, em Campo Grande, por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União, ficando, por fim, a cargo do Dnit.
Segundo a portaria, todo o ônus relativo à implantação, à manutenção e ao eventual remanejamento das instalações ficarão a cargo da prefeitura da Capital e do Dnit, que também serão responsáveis por eventuais impactos ou problemas decorrentes que venham a afetar a rodovia.
Além da implementação da pavimentação e das estruturas para drenagem, o projeto também contemplou a instalação de duas pontes: uma sobre o Córrego Botas e outra sobre o Córrego Ceroula.
SAIBA
O Anel Viário de Campo Grande foi iniciado ainda na gestão do ex-prefeito Juvêncio César da Fonseca (MDB), em 1992.
Via Correio do Estado MS