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De olho no prêmio acumulado, apostadores abandonam bolões

[Via Correio do Estado]

A crise econômica pegou e os apostadores que sonham em faturar os R$ 280 milhões estimados de prêmio da Mega-Sena da Virada, que será sorteada na noite deste domingo, em São Paulo (SP), deram um tempo nos tradicionais bolões para arriscar a sorte nas apostas individuais.

Na lotérica Ferradura da Sorte, na Rua Rui Barbosa, região central, onde dez campo-grandenses racharam com apostadores de outros cinco estados o prêmio de R$ 220,9 milhões sorteado ano passado, funcionários que preferem não se identificar apontam que a procura pelos bolões oficiais da Caixa Econômica Federal é pequena.

“De cada cinco clientes que entram, quatro é para apostar na Mega da Virada. Mas o pessoal está sem dinheiro, faz a aposta simples. Os bolões mesmo não estão saindo”, disse uma das caixas do local, a mesma que há exato um ano fez os três jogos do grupo que faturou a bolada e gastou cerca de R$ 2,2 mil pelos jogos.

Repetir a sorte grande no mesmo lugar, aliás, é a motivação para alguns dos apostadores, atraídos ao local pela fama adquirida. “Tem que arriscar. E faço questão de passar no mesmo caixa em que deu o prêmio ano passado”, disse o operador de suporte técnico Cláudio Tabosa, 20 anos.

Estreante nas loterias, o jovem caminhou cerca de sete quarteirões do trabalho até a lotéria só pela sorte de repetir a aposta no local vencedor. Sozinho, fez três jogos simples e descartou os bolões. “Quero ganhar sozinho”, explicou.

Com o histórico de ter ganho uma máquina de costura na década de 1980, “único sorteio vencido até hoje”, ela ressalta, a aposentada Noêmia Schimidtt, 63, aponta que concursos especiais das loterias, como a Mega da Virada, são os períodos em que resolve apostar.

“É a segunda vez que passo em frente a uma lotérica e decidi fazer outro jogo”, disse Noêmia. Mãe de um filho adotivo, já sabe onde gastar o prêmio: viagens e a adoção de mais crianças. Sem saber do prêmio dado há um ano naquela lotérica específica, disse se sentir mais confiante ao ser informada pela reportagem. “Mais um motivo para acreditar.”

Alheio à crise, o também aposentado Geraldo Andrade, 65, vai em direção oposta. Participa de nove bolões e já fez mais de dez jogos sozinhos, alguns deles com mais de seis dezenas, a considerada aposta simples, mais barata, de R$ 3,50. Um gasto de cerca de R$ 850.

“Eu vou ganhar, não existe outra possibilidade”, decretou, esbanjando confiança. “No dia 1º (de janeiro) podem me procurar, pois eu estarei milionário. Quer dizer, pensando bem, melhor nem deixar meus contatos né?”, brincou, antes de sair em disparada.

Correio do Estado circulou por diversas lotéricas do centro e encontrou movimentação fraca. “É a chuva”, brincou uma funcionária de um dos comércios, na Praça Ary Coelho. Melhor para o apostador, que pode testar sua sorte sem enfrentar filas para isso.

Já nos bairros, a movimentação é mais intensa. Em uma lotérica localizada em centro popular de compras do Jardim Parati (região sul), a fila para atendimento chegava a uma média de oito minutos.

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