[Via Correio do Estado]
Presente na história de Mato Grosso do Sul e base da sua economia – mesmo com o crescimento das lavouras –, a pecuária se viu, até há pouco tempo, nas mãos de um único grupo. Responsável por cerca de 60% dos abates praticados no mercado, o Grupo JBS era quem ditava as regras do jogo no segmento pecuário sul-mato-grossense. Foram muitas as plantas compradas pela companhia dos irmãos Joesley e Wesley Batista simplesmente para serem tiradas do mercado. Essa soberania foi colocada à prova no ano passado, quando as delações dos empresários abalaram – e ainda estão abalando – o cenário da política. Na economia, porém, a pecuária continua no caminho da recuperação, passada a ressaca dos três últimos anos de crise econômica nacional.
Reportagem deste fim de semana do Correio do Estado mostrou que o setor frigorífico de MS registrou, de janeiro a julho, um crescimento de 6% quando comparado a igual período do ano passado. Em média, são abatidos 280 mil animais por mês nos 31 frigoríficos em operação no Estado, sendo 41% realizados em unidades de abate do grupo.
Embora ainda responsável por fatia considerável, o enfraquecimento da JBS fortaleceu outros grupos, primeiro passo para uma descentralização ainda maior. O passado recente já mostrou o quão arriscado é deixar segmento como esse, um dos maiores geradores de emprego do Estado, nas mãos de um único setor. Em 2017, a JBS, como forma de pressão após o bloqueio de R$ 730 milhões de suas contas pela Justiça, suspendeu os abates em todas as sete unidades – as maiores do Estado. O resultado foi a paralisação total do mercado e o medo de ter, em meio a um período de recessão, mais 15 mil trabalhadores na fila de desempregados. Um acordo teve de ser feito para evitar um dano maior, uma vez que, para muitos municípios de pequeno porte, é o frigorífico o maior empregador e gerador de renda da população. Fora isso, a descentralização favorece ainda, com a livre concorrência, o produtor rural e o consumidor final.
Os números apresentados neste sete primeiros meses do ano ainda não são o ideal, mas nem por isso devem ser menos comemorados. Mesmo que a passos lentos, em razão das incertezas geradas em toda a economia diante das eleições que se aproximam, o mercado está estável, o que, depois de estar no olho do furacão, é uma boa notícia. A retomada do crescimento da pecuária deve ganhar força em 2019, que não está tão distante assim, e se concretizar em 2020. Enquanto isso, aos poucos, frigoríficos de menor porte voltam a olhar para o mercado interno e apostam em melhorias, como aumento da capacidade de abate e também modernização do processo industrial.