Polícia

Complexidade justifica perícia fora de MS, diz delegado-geral

[Via Correio do Estado]

O delegado-geral da Polícia Civil do Estado, Marcelo Vargas, disse que o armamento apreendido em maio com guardas municipais suspeitos de formarem uma milícia está sendo periciado em Brasília (DF) pelo fato dos crimes envolvendo o arsenal serem “de alta complexidade”.

A fala aconteceu na manhã desta segunda-feira (5) durante entrega de materiais e veículos para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac).

Com a prisão dos guardas municipais Robert Vitor Kopetski, Rafael Antunes Vieira e do motorista de aplicativo Flávio Narciso Morais da Cunha, a força-tarefa que investiga crimes de pistolagem em Campo Grande agora busca outro integrante da Guarda Municipal suspeito de fazer parte do grupo.Na semana passada, o prefeito de Campo Grande Marcos Trad (PSD) afastou por mais 30 dias os guardas de suas funções até que fosse terminado as investigações.

Com Marcelo Rios, outro guarda da força de segurança pública do município, preso desde 18 de maio, seriam pelo menos quatro integrantes da instituição suspeitos de formar uma quadrilha de extermínio que teria como chefe um empresário da Capital, conforme indica o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Civil.

Os dois guardas e o motorista de aplicativo voltaram à prisão ontem depois que a 2ª Câmara Criminal decidiu favoravelmente ao recurso ajuizado pela procuradora de Justiça Sara Francisco da Silva. Ela alegou que Eliane Benitez Batalha dos Santos, testemunha do processo e da investigação conduzida pela Polícia Civil, está com a vida em risco e teria sido ameaçada pelos três. Eliane é companheira de Marcelo Rios, outro suposto integrante do grupo, que está isolado no Presídio Federal de Mossoró (RN). Ela teria sido ameaçada nos dias posteriores à prisão de Marcelo, fato que chegou ao conhecimento dos policiais, que prenderam o trio em flagrante por obstrução à Justiça. A prisão dos três foi revogada no fim do mês de maio e, desde então, o Ministério Público Estadual tentou por pelo menos quatro vezes mandá-los de volta para a cadeia. O êxito só veio no julgamento de terça-feira (30).

Guarda municipal Marcelo Rios foi preso no dia 19 de maio com um arsenal bélico (Valdenir Rezende/Correio do Estado)

CAÇADA

Agora os policiais da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), que integram a força-tarefa, procuram pelo quarto guarda envolvido. No dia 17 deste mês, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em três endereços ligados ao suspeito. Ele estaria envolvido no assassinato do estudante de Direito Matheus Xavier, 20 anos, ocorrido em 9 de abril. Matheus foi executado com dezenas tiros de fuzil calibre 7,62 milímetros. A tese de que o pai dele, o capitão reformado da PM Paulo Roberto Teixeira Xavier, era o alvo ainda não foi descartada pelos investigadores.

ARSENAL

No pen-drive encontrado na ocasião com o guarda, também havia um dossiê sobre um fazendeiro da cidade de Bonito. Os policiais da força-tarefa suspeitam que o produtor rural seria um dos alvos do grupo de extermínio, que é investigado pela Polícia Civil e pelo Gaeco. Na mídia eletrônica, existiam fotos, números de documentos, endereços e informações sobre bens e atos praticados pela possível vítima.

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