[Via Correio do Estado]
O juiz Alexandre Antunes da Silva, da auditoria militar de Campo Grande, requisitou que os celulares apreendidos com o policial militar Ricardo Campos Figueiredo, investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual por ligação com contrabandistas de cigarros, sejam periciados pela Polícia Federal.
Os dois aparelhos foram destruídos pelo réu durante cumprimento de mandados da operação Oiketicus, deflagrada em maio para desarticular grupo de contrabandistas que atuavam na rota de acesso à fronteira com o Paraguai. O objetivo da perícia é definir o momento exato e as circunstâncias em que os telefones foram destruídos.
O policial alega que os aparelhos tiveram problemas técnicos como, por exemplo, superaquecimento da bateria, motivo pelo qual estavam quentes quando apreendidos. No entanto, agentes do Gaeco alegam que ele teria se trancado no banheiro e quebrado os dispositivos a fim de impedir a descoberta de provas, já que indícios apontavam troca de mensagens e registros de ligações com outras pessoas investigadas. Ricardo foi preso na ocasião e meses depois perdeu o cargo de Agente de Segurança Velada da Casa Militar do Estado.
“Tendo em vista a complexidade e a especialidade do objeto da perícia, infere-se que é necessário a designação de perito oficial que atue na esfera federal, motivo pelo qual se revela conveniente que seja solicitada a cooperação de peritos em atividade na Polícia Federal. Diante disso, solicite-se a indicação de uma relação de peritos que possam realizar a perícia nos aparelhos celulares danificados, com escopo de definir, se possível, o momento em que eles foram destruídos”, decidiu o magistrado, autorizando a participação de assistente técnico indicado pelo réu, que poderá apresentar laudo complementar.
DESTRUIÇÃO DE PROVAS
Por conta da possível ligação com os cigarreiros, Ricardo se tornou alvo de apuração minuciosa do Gaeco. No dia 16 de maio, quando a Operação Oiketicus foi deflagrada, ele foi um dos alvos. Durante buscas na residência dele o promotor que acompanhava o cumprimento dos mandados questionou sobre os aparelhos de celular que estavam no banheiro. Ricardo foi para o local, se trancou e destruiu os celulares.
O militar foi preso em flagrante por obstrução da justiça e posso ilegal de arma de fogo de uso restrito. Os telefones foram encaminhados para perícia técnica e, por meio de laudo, não foi possível repará-los por conta dos danos nas placas e processadores. “Infere-se, portanto, que ao danificar os aparelhos celulares – os quais eram objeto específico da busca e apreensão – o indiciado agiu com o manifesto animusde destruir provas e prejudicar as investigações”.
No dia 16 de maio, o Gaeco e a Corregedoria da Polícia Militar deflagraram a Operação Oiketicus para desarticular o esquema que beneficiava policiais corruptos que agiam em Mato Grosso do Sul. Ao todo, 20 deles foram presos. Na ocasião, Ricardo foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de uso restrito e obstrução da justiça pois, ao perceber a chegada de agentes do Gaeco, destruiu seus celulares que poderiam conter provas. No último dia 13 de junho, a Corregedoria da Polícia Militar realizou desdobramento da operação, com ais oito pessoas presas em Campo Grande e interior.