[Via Correio do Estado]
A segunda parcela do décimo terceiro mal caiu na conta, na última sexta-feira, mas a aposentada Maria Ileir de Nascimento, de 70 anos, já tem destino certo para ele. “Pagar as parcelas que tenho de boletos e, quem sabe, conseguir um desconto. Tem que se esforçar ao máximo para fazer render esse dinheiro, quem sabe sobra para gastar com outra coisa”, diz.
Assim como a aposentada, pagar contas, seja as que estão em atraso ou ainda vão vencer no início do próximo ano, é o principal destino para o décimo terceiro dos campo-grandenses entrevistados pela reportagem. Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul (Fecomércio), a expectativa é que o pagamento do salário de novembro (R$ 826 milhões) e de parte do 13º salário(R$415 milhões) injetasse mais de R$ 1,2 bilhão na economia local. O levantamento também revelava que a maioria da população de Campo Grande (44%) vai utilizar o dinheiro para pagar contas em atraso (cheque especial, cartão de crédito, negativação de crédito, entre outros).
Com o valor já comprometido, o conceito de “dinheiro extra” fica só na teoria. “Já está comprometido. Vai para as contas de IPTU, IPVA e pagar as dívidas. Difícil sobrar dinheiro extra para gastar com lazer ou outra coisa. Vai tudo para as contas”, afirma o servidor federal Leandro Carvalho, de 25 anos, que ainda aguarda receber a segunda parcela do décimo terceiro, que pode ser depositada até o dia 20.
O vendedor Luiz Antônio da Silva, de 45 anos, avalia que esse ano “foi mais difícil” e que “não deve sobrar nada” do décimo terceiro depois de pagar as contas em atraso. “É mais o cartão de crédito que tenho para pagar e as contas desse período. Só vai servir para zerar as contas para ano que vem poder fazer outras”, estima.
Mas situação mais desanimadora é a dos servidores municipais, que ainda não receberam nenhuma parcela do décimo terceiro e não tem certeza se vão receber amanhã. “Estou esperando. Vou usar esse dinheiro para pagar as contas atrasadas. Espero que sobre para gastar com roupas e outras coisas também”, diz a servidora municipal, Jessica Andrade, de 19 anos.