[Via Correio do Estado]
O ex-governador André Puccinelli (PMDB) e o filho André Puccinelli Filho deixaram a prisão por volta das 16h da tarde desta quarta-feira (15).
O mandado de soltura foi expedido 24 horas após a prisão, mas eles só foram liberados 33 horas depois. Eles saíram do Centro de Triagem de Campo Grande no carro do advogado.
Questionado sobre os termos do habeas corpus, o advogado João Vicente explicou que André Puccinelli e o filho dele terão de entregar os passaportes, comparecer mensalmente em juízo e não poderão se ausentar da cidade por mais de 15 dias.
Ele disse ainda que o atraso na saída dos clientes ocorreu por problemas no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O ex-governador foi para a casa dele, onde se reuniu com familiares. Ele não quis falar com a imprensa. Puccinelli não tem nenhum compromisso político agendado para esta quarta-feira (15).
A PRISÃO
O habeas corpus impetrado pela defesa deles foi concedido pelo desembargador Paulo Fontes do Tribunal Regional Federal (TRF-3).
André Puccinelli e André Puccinelli Filho foram presos na manhã de ontem, depois de deflagrada a 5ª fase da Operação Lama Asfáltica, denominada Papiros de Lama.
Eles foram levados para o Centro de Triagem, no Jardim Noroeste, em Campo Grande, depois de audiência de custódia realizada na Justiça Federal, ainda na terça-feira (15).
OPERAÇÃO
A quinta fase da Operação Lama Asfáltica - Papiros de Lama, que investiga a organização criminosa que desviou recursos públicos por meio do direcionamento de licitações públicas, superfaturamento de obras públicas, aquisição fictícia ou ilícita de produtos, financiamento de atividades privadas sem relação com a atividade-fim de empresas estatais, concessão de créditos tributários com vistas ao recebimento de propina e corrupção de agentes públicos.
Os recursos desviados passaram por processos elaborados de ocultação da origem, resultando na configuração do delito de lavagem de dinheiro.
Esta nova fase da investigação decorre da análise dos materiais apreendidos em fases anteriores. Também foram realizadas fiscalizações, exames periciais e diligências, somada à delação premiada de Ivanildo da Cunha Miranda, que era operador de André Puccinelli para receber o dinheiro de propina.
Segundo a investigação, os desvios chegam a R$ 235 milhões.
"Os valores repassados a título de propina eram mascarados com diversos tipos de operações simuladas, de forma a dar falsa impressão de licitude ao aumento patrimonial dos integrantes da organização criminosa ou de dar maior sustentação financeira aos seus projetos", informou nota da PF.
Uma das novas formas descobertas da lavagem de capitais era a aquisição, sem justificativa plausível, de obras jurídicas, por parte de empresa concessionária de serviço público e direcionamento dos lucros, por interposta pessoa, a integrante do grupo criminoso. Em virtude deste estratagema, a Operação foi batizada de Papiros de Lama", completou a nota.
No total foram cumpridos ontem, dois mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária, seis de condução coercitiva e 24 mandados de busca e apreensão. Além de Campo Grande, os alvos estão localizados nas cidades de Nioaque (MS), Aquidauana (MS) e São Paulo (SP).