Economia

Ações da Petrobras caem com mercado pesando troca no comando e Rodolfo Landim recusa a presidência

A queda ocorria após o indicador ter fechado o primeiro trimestre com cerca de 15% de ganho e atingido, na última sexta-feira

Em um dia de oscilação nas ações da Petrobras provocadas pela dança das cadeiras na diretoria da estatal, o importante peso da companhia sobre o mercado acionário do país fez o Ibovespa penar para manter o patamar de 121 mil pontos, alcançado na semana passada.

O índice de referência da Bolsa de Valores brasileira cedeu 0,24%, a 121.279 pontos. A queda ocorria após o indicador ter fechado o primeiro trimestre com cerca de 15% de ganho e atingido, na última sexta-feira (1º), a melhor pontuação em oito meses.

As ações preferenciais da Petrobras, que dão preferência para o recebimento de dividendos e são as mais negociadas na Bolsa, recuaram 0,88%.

Investidores digeriram ao longo do dia a decisão de Rodolfo Landim, que recusou o convite para ocupar a presidência do conselho de administração da companhia. Além disso, há a expectativa pela desistência do consultor Adriano Pires, indicado para substituir o general Joaquim Silva e Luna na presidência da empresa. A informação sobre a desistência de Pires ainda não foi confirmada pelo governo.

Landim e Pires são próximos ao empresário baiano Carlos Suarez, que tem fortes interesses no setor de gás. Ele é dono da Termogás, empresa que controla distribuidoras de gás encanado em regiões ainda não atendidas por gasodutos. Ficou mais conhecido com o S da OAS, que ajudou a fundar e da qual depois se desligou.

Vitor Carettoni, diretor da mesa de renda variável da Lifetime Investimentos, afirma que a indicação de Pires havia sido bem recebida pelo mercado, que o considera favorável à manutenção da política de preços de combustíveis que estabelece paridade com o exterior.

Esse sistema é sensível à variação do petróleo, cujo valor está inflacionado devido aos riscos que a guerra na Ucrânia representa à oferta.

Preocupado com o impacto da inflação sobre a avaliação do seu governo, o presidente Jair Bolsonaro (PL) estava descontente com Silva e Luna devido aos aumentos nos preços dos combustíveis.

“Com a saída dele [Pires], fica novamente em risco a possibilidade de entrar algum presidente que possa segurar o preço [dos combustíveis] na Petrobras”, comentou Carettoni.

As indicações de Pires e Landim seriam avaliadas pelos acionistas da estatal em assembleia agendada para o próximo dia 13.

Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, destaca que a proximidade da data da assembleia também amplia a pressão sobre o mercado, gerando mais oscilações aos papéis da companhia.

Arbetman afirma, porém, que o mercado acredita que a diretoria da Petrobras continuará a tomar decisões técnicas, o que significa manter a atual política de preços. “O governo vai ter que tomar decisões mais práticas. Pelo perfil das decisões anteriores, acreditamos em uma indicação técnica”, diz.

Ainda sobre a ligeira queda da Bolsa nesta sessão, Pamela Semezzato, analista de investimentos da Clear Corretora, explica que um dia de correção -jargão do mercado para descrever uma queda dentro de uma sequência de ganhos- pode ser positivo para permitir a entrada de investidores que estavam esperando um momento de baixa. Isso poderia reforçar a tendência de alta.

Semezzato avalia, porém, que é importante para o Ibovespa a manutenção da casa dos 121 mil pontos alcançados na semana passada. Isso teria o efeito psicológico de quebra de barreira para investidores, que passariam a enxergar esse novo patamar como adequado para a entrada no mercado.

Via Folhapress

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