Polícia

Arrombadores de cofre preferiam assaltar agências da Caixa Econômica Federal

Acusados tentaram invadir agência da Via Park em 2020 e alegaram lentidão da Polícia Federal para investigar os casos

Quadrilha responsável pelo assalto ao cofre do Bradesco no último domingo (3), preferia agências da Caixa Econômica Federal para realizar crimes. Os acusados tentaram invadir a agência bancária da Vila Park em Campo Grande em 2020, mas não obtiveram sucesso.

Segundo um dos assaltantes, a escolha pela Caixa foi motivada pela lentidão da Polícia Federal (PF) para apurar as ocorrências.

Os cinco criminosos Everton Silva de Souza, Edemilson de Custódio (Dimy), Elizeu Gomes da Rocha (Gordão), Clóvis Borgmann e Douglas Ferreira de Camargo (DG) também arquitetaram planos para invadir os bancos da mesma agência em Paranaíba, Maracaju e Aquidauana. Nesta última cidade o grupo conseguiu R$ 700 mil.

De acordo com Everton, o técnico de segurança embarcou no mundo do crime pela influência de Elizeu, que alegou possuir especialidades em cortar cofres. O encontro aconteceu na cidade de São Paulo, local em que começaram a ser pagos para fazer o mapeamento das agências.

Everton e Edemilson estão presos, Douglas, Gordão e Clóvis continuam foragidos.

A polícia descobriu o nome de DG pelo registro do hotel onde o assaltante ficou hospedado na Capital. Os outros dois foram descobertos durante a conversa com o segundo preso, Edemilson.

Em 2021 o bando passou a planejar grandes roubos na agência bancária Bradesco, onde tentaram realizar uma operação parecida na cidade de Água Clara. Novamente a invasão fracassou. A primeira ação de reconhecimento do local foi realizada no sábado (2), mas o grupo só conseguiu acesso ao cofre no domingo (3).

Segundo Everton, o esquema também envolvia pessoas apresentadas por Dimy de Santa Catarina e Mato Grosso.

O acusado lamenta o envolvimento nos crimes e revela que começou a fazer parte do grupo apenas depois da tentativa de assalto em Maracaju. “Cai em tentação”, diz em depoimento.

Conforme o réu, Dimy teria dito que o ritmo de investigação e apuração da PF era lento, por isso, Everton resolveu ser membro ativo do plano no assalto em Aquidauana.

O valor roubado da agência teria sido destinado à compra de imóveis, inclusive, a residência local onde um dos caros foi encontrado. Além disso, o dinheiro foi usado na compra de caros e acerto de contas com “agiotas”.

Everton foi preso em Aparecida do Tabuado com R$ 57 mil escondidos. Outros R$ 50 mil foram encontrados camuflados na despensa da residência onde morava com a esposa.

Esposa de Everton

A esposa de Everton (54) é instrumentista cirúrgica e alega que não sabia dos delitos cometidos pelo marido. O casal está junto há três anos e se conheceram no local de trabalho da mulher.

De acordo com a Conjugê, a casa onde os dois moram foi financiada.

“Everton deu R$65 mil de entrada. Disse que era de um acerto trabalhista.”, declara em relatório.

A esposa, grávida de oito meses de Everton, disse que no sábado o réu saiu e voltou às 5 da manhã. “Saiu com o Celta e voltou com o Prima, ele disse que era do Dimy”.

No mesmo dia, ela retornou à casa por volta das 19 horas da noite. No momento, o acusado falou que viajaria a trabalho e voltaria na segunda-feira.

“Ele disse que deixaria um dinheiro para o enxoval do bebê e para os suprimentos da casa”, revela.

Conforme a companheira de Everton, Dimy esteve na casa no domingo e retirou alguns objetos do Prisma.

“Nunca perguntei ao Everton sobre as viagens de finais de semana, pra mim, eram para instalações de sistema de segurança.” termina.

O Correio do Estado tentou entrar em contato com a assessoria do Banco Bradesco, mas até o fim dessa reportagem não obteve respostas. Por telefone funcionários relataram não poder relator o ocorrido.

Via Correio do Estado MS

Compartilhe: