Ross Kasakoff deixou o país, mas pretende voltar caso a guerra esfrie na Ucrânia
Campo-grandense que mora na Ucrânia, país que resiste a uma invasão da Rússia desde a quinta-feira (24), contou ao Correio do Estado na tarde deste domingo (27) que teve dificuldades de deixar o país em direção à Romênia.
Depois de conseguir transporte para a região de fronteira, Ross Baird Kasakoff, de 30 anos, disse que ficou cerca de 24 horas tentando atravessar a fronteira seca, mas foi impedido por soldados uncraniaos que retiveram a saída de homens menores de 60 anos.
Sob ameaça de fuzis e rifles, o brasileiro conta que de tempos em tempos as forças militares ucranianas escolhiam pessoas que poderiam cruzar a linha. “Eles estão praticando corrupção. Apontam para alguns na fila e essas específicas pessoas passam na frente dos outros”, revela em vídeo, dizendo que para dispersar a multidão os soldados atiravam com intenção de intimidar e conter os ânimos.
De acordo com o relato, muitos estrangeiros são negligenciados e nem mulheres e crianças têm preferência na travessia. Apesar de ter sofrido, Ross Kasakoff conseguiu atravessar a linha por “pura sorte”, conta ele em áudio enviado à reportagem.
Nos últimos dias a família de Ross iniciou uma vaquinha online para auxiliar na remoção dele da Ucrânia. Na mesma mensagem, ele contou que não pretende deixar a região por enquanto. “Eu trabalho em uma clínica de barrigas de aluguel e tem 600 mulheres grávidas em todo o território, e eu estou de coração apertado de ter saído”.
O campo-grandense ainda relata a dificuldade de receber apoio da Embaixada brasileira na Ucrânia. “É importante dizer que quem tentar sair do país terá muita dificuldade. A única ajuda que tive é que eles vão pagar três diárias de um hotel na Romênia depois ficarei a deus-dará”.
Segundo a ONU, já são 368 mil pessoas que saíram do país, a maioria para a Polônia. O Alto Comissariado para Refugiados da organização estima que até quatro milhões de ucranianos podem fugir, quase 10% da população.
Com a escalada do conflito na Ucrânia, cerco a Kiev e a segunda maior cidade do país, Kharkiv, o Governo ucraniano resolveu abrir negociações para um possível cessar-fogo no final da manhã deste domingo.